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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Jacarehy em seus 359 anos. Respostas de Cesira Papéra ao Jornal SEMANÁRIO.

Respostas de Cesira Papera ao Jornal SEMANÁRIO, em ocasião do aniversário da cidade de Jacarehy em Abril de 2011.
1 – Um ano inesquecível em Jacareí. Pode explicar brevemente como foi?
Muitos acontecimentos significativos ilustram a História de Jacarehy. Como “Villa” que surgiu em 1652, no início do processo de Colonização Portuguesa na América, nosso território Jacarehyense foi cenário das primeiras ações do desenvolvimento e avanço do sistema Mercantilista e do Capitalismo mundial com a geopolítica de dominação dos povos do mundo ocidental nos Seiscentos e Setecentos.  A partir dos Oitocentos, um ano muito importante foi o de 1876 com a construção da Ferrovia e o surgimento do nosso 2º Centro Histórico, onde atualmente é a Praça Conde Frontin, e que projetou Jacarehy no Brasil Império como um pólo portador de capital financeiro, de difusão de Educação e Cultura e de desenvolvimento tecnológico, pois, com o surgimento do 2º Centro Histórico em torno da Ferrovia e da Estrada Velha São Paulo-Rio; Jacarehy se revelava também como uma sociedade urbana com vocação  para acompanhar os avanços do desenvolvimento econômico mundial; este brio progressista e construtivo se refletia na população Jacarehyense que ocupava  constantemente o espaço da Praça Conde Frontin para comemorações, manifestações políticas, de convivência e ação social, seguindo os moldes europeus de fortalecimento da identidade cultural e do poder popular, através das comemorações cívicas, históricas e religiosas; frente aos Poderes Constituídos. Esta prática de civilidade e participação social costumeira e cultivada pelos Jacarehyenses, ocorreu naquela Praça Conde Frontin, chamada Praça do Bom Sucesso até 2004, quando então o Centro Histórico de Jacarehy foi destruído pelas mãos e ação do então Prefeito Marco Aurélio de Souza. 


No século XX, eu considero que o ano de 1992 tenha sido o mais importante para Jacarehy, dentro desta leitura de processos econômicos, histórico-sociais e culturais, pois em 1992 o então Prefeito Osvaldo Arouca esteve muito próximo de construir o HOSPITAL MUNICIPAL  da nossa cidade e no mesmo ano, a Professora Maria Ada Cherubini, como Presidente da Fundação Cultural de Jacarehy, inaugurou o “SOLAR GOMES LEITÃO”,  depois dos 13 anos de restauros, e instituiu informalmente o “Museu de Antropologia do Vale do Paraíba”, naquele edifício. Neste ano histórico Jacareí esteve muito próxima  de se recolocar como cidade progressista e de vanguarda como sempre fora;  pois  demonstrou que possuía uma Cultura Política baseada na tecnicidade e preservação dos direitos da pessoa humana, incentivando na gestão pública os dois pilares fundamentais comuns a toda sociedade na História da nossa civilização: a SAÚDE e a CULTURA.


2 – Um lugar especial para passear em Jacareí.
Jacareí oferece vários lugares especiais para passear, pela sua própria posição e formação geográfica. Por exemplo, a SP-66 que liga Jacareí à Guararema, é uma Estrada com uma natureza ainda muito bonita, com reserva de mata Atlântica. Cresci em Jacareí e o passeio que meu pai proporcionava à nossa família era ir pescar em várias regiões da cidade, dizia que a água e a pescaria eram uma escola; logo, cresci com os olhos voltados para o quê Jacareí oferecia naturalmente, desde pequena eu via Jacareí vislumbrar; uma grande várzea com correntes de águas por todos os lados, cercada de morros e pequenas montanhas.  De cima do Morro do Itapeva, do Morro do SESI podíamos ver toda a cidade e a Serra da Mantiqueira. Nas represas podíamos pescar e fazer pic-nic nos bosques, para observar a natureza. No bairro do Rio Abaixo, podíamos brincar na beira do Rio Paraíba. No Bairro do Bom Jesus existiam os bosques de frutas e a festa do Bom Jesus. No Bairro do São João existiam áreas de convivência social, religiosa e cultural, com os Parques e Circos que se instalavam e faziam a alegria das crianças e cidadãos em geral, em torno da Igreja do São João e da Capela do Cruzeiro, que posteriormente foi demolida e destruída pela administração pública do então Prefeito Marco Aurélio de Souza.


Parte destes cenários paisagísticos que narrei, ainda existem em Jacareí, faz parte de sua natureza, precisamos é reconhecê-los, valorizá-los, criar uma política de reconhecimento histórico e geográfico dos espaços urbanos, rurais e hidrográficos de nossa cidade para que sejam desenvolvidas também as atividades culturais, esportivas- náuticas e econômicas em torno de nossas possibilidades turístico-paisagísticas. O Rio Paraíba do Sul é uma grande dádiva da natureza, que possuímos, mas não o protegemos e nem mesmo desfrutamos de sua beleza e potencial.
Ainda nas zonas mais afastadas do Centro da cidade, encontramos as Capelas mais antigas que revelam nossa existência secular como povo cristão que somos. O Bairro do Bom Jesus nos revela as inovações que já existiam por aqui já no século XIX, a malha Ferroviária e os destroços que sobraram da sua Estação e uma Capela dos Setecentos ainda em pé, apesar da voraz vocação desta administração atual em destruir Patrimônio Histórico religioso e ambiental, os munícipes do Bairro do Bom Jesus ainda conseguem reger as manifestações culturais em festas e comemorações organizadas por eles no seio da sociedade civil.
Sob o aspecto urbano Jacareí apresenta cenários interessantes, ruas estreitas, algumas ainda com edificações antigas que revelam uma paisagem urbana de outros séculos, como a Igreja de São Benedito, Igreja da Matriz Imaculada Conceição, a Igreja do Rosário, a Igreja do Bom Sucesso, o Solar Gomes Leitão, as construções antigas que restaram, na Praça do Rosário e das ruas do centro mais antigo da cidade. Portanto, um passeio à pé pelo centro pode sempre nos desvendar uma novidade na identidade histórico-arquitetônica de Jacareí.
Um local precioso a ser visitado, que apresenta um Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico de imensurável valor é o Cemitério Campo da Saudade, no Bairro Avarehy, mais conhecido como Cemitério do Avareí. É um Patrimônio Cultural com forte representatividade da Arte Tumular e que eu anseio em vê-lo preservado e transformado em um Museu Cemiterial. Ele nos dá a possibilidade de incluir Jacareí num roteiro turístico que incluí Arte e História.
3 – Algo negativo que há em Jacareí.
A falta de uma gestão pública com planejamento urbano moderno e atualizado com a tecnicidade que a ciência da Urbanização já pode nos oferecer; que contemple nosso Patrimônio Natural e Histórico e que possa nortear a redefinição de políticas futuras de sustentabilidade.  Uma meta com planejamento que organize a cidade de acordo com a sua vocação e potencial econômico, sócio-cultural, geográfico, arqueológico e histórico. Esse é um aspecto negativo, que nós Jacareienses estamos vivendo, e que nos impossibilita de desenvolver todas as nossas potencialidades de crescimento aliado a desenvolvimento e criação de oportunidades trabalhistas e de negócios que destaquem nossas virtudes, pois como Jacareienses sabemos bem a importância de nosso Patrimônio Cultural e de nossa Historicidade, de nossa vocação desenvolvimentista que era já presente em nossa História desde o surgimento da Villa de Jacarehy, e que nos últimos tempos estamos vendo submergir com  uma política de eventos e  de obras volumosas eleitoreiras, causando o  apagamento total de uma História própria já existente. Assisti a uma palestra do Sr. Peloia, Presidente do CIESP, em que ele declarou que Jacareí deve se adequar em termos de obras de Infra-estrutura para poder receber nos próximos anos o investidor  empresarial externo, este é um alerta técnico à uma conduta pouco atenta às necessidades reais do nosso município.
4 – Algo positivo que há em Jacareí.
 O quê há de mais positivo em Jacareí é O JACAREIENSE. Somos um povo de Memória e de Trabalho.  Um povo que tem sua própria identidade cultural e que sabe refletir sobre o seu próprio passado.  Nós Jacareienses, em 1850 já estávamos construindo com verbas privadas nossa própria Santa Casa de Misericórdia, seguindo os moldes de Saúde de alguns países da Europa, como a Itália e Portugal. Hoje, no século XXI vemos em nossa cidade, uma desarticulação total para construir o segmento de benefício social básico, que é o Hospital Municipal. Considero que o Jacareiense saberá reagir e se reapropriar de sua Cultura Política de Construção e Organização Social e Urbana.

5 – O quê Jacareí apresenta de interessante para aqueles que a olham de fora?
 Acho que Jacareí sempre foi interessante para investimentos de capital externo e interesses de mercado. Por isso fomos apontados como cidade principal do Vale do Paraíba e receberíamos o CTA aqui em nosso território, mas por ajustes técnicos, administrativos e políticos, o CTA foi para São Jose dos Campos, que possuía já naquela época, administração pública que, comprovadamente tutelava e salvaguardava os itens técnicos e científicos na administração pública, necessários e voltados para o desenvolvimento urbano moderno e contemporâneo das cidades.
Fomos interessantes desde outros séculos por possuirmos aqui grande legado histórico-cultural de desenvolvimento, pois éramos o principal pólo educacional em um período que toda a região passava por dificuldades econômicas; estivemos sempre estrategicamente localizados frente a principal Rodovia do País, possuíamos um transporte Ferroviário em funcionamento e que funciona ainda parcialmente com os investimentos que a iniciativa privada fez na nossa malha ferroviária para chegar até o Bairro São Silvestre e que poderia chegar até o Campo Grande se quiséssemos e tivéssemos tido administrações do nosso Patrimônio, voltadas à defesa dos interesses dos cidadãos, e não aos interesses de grupos desprovidos de tecnicidade que precisam se perpetuar no poder municipal para manutenção de suas regalias e oligarquias dominantes.
De modo geral, até mesmo com os aspectos geográficos, como a presença do Rio Paraíba do Sul, favorecem os investimentos financeiros e nos posicionam sempre sob o olhar da iniciativa privada do capital nacional e internacional.
Dádivas naturais e históricas possuímos tantas para nos tornarmos alvo de capital investidor e de iniciativas empreendedoras; precisamos é instituir classe dirigente com mentalidade criativa, atualizada, bem formada e informada tecnicamente;  capaz de entender e administrar todas as dádivas e bens que possuímos e então Jacarehy veria florescer amplamente suas flores e frutos;pois afinal Política é a administração de problemas e soluções econômico-histórico-sociais.


Um comentário:

Dinamara Osses disse...

Perfeito Cesira! Simples e objetiva! Parabéns!