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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Sítios Arqueológicos de Jacarehy-SP


PREÂMBULOS GEOGRÁFICOS, HISTÓRICOS E ANTROPOLÓGICOS DO VALE DO PARAÍBA

 

  

    O Patrimônio Cultural foi negligenciado historicamente no Brasil e em particular na cidade de Jacareí. A política cultural gerenciada por classe dirigente dominante com cultura política fundamentada na exploração do bem natural e público, na violência física para manutenção de exploração humana com o sistema escravista, no coronelismo implementado desde o século XIX; representada no século XX por imigrantes e migrantes oriundos de várias regiões brasileiras, em função da industrialização do Vale do Paraíba; neste século XXI submete o Poder Público Constituído e o mercado local às suas necessidades estruturais de manutenção de empregos e negócios. Visto ser essa política cultural, resultado de anseios políticos de classe dirigente descrita e caracterizada historicamente; configura-se desprovida de mecanismos de reconhecimento acerca da importância da historicidade Jacareiense; e sempre intermediou o contexto social, o desenvolvimento econômico da cidade e o reconhecimento do pleno exercício da cidadania no âmbito da proteção e preservação do Patrimônio Cultural.

    A determinação do capital internacional promoveu a extinção dos povos originários, deu origem às cidades e ao processo de desenvolvimento destas, traçou a trajetória e garantiu a manutenção no poder de grupos oligárquicos, institucionais e chefes locais, no Vale do Paraíba.  Na concepção de Caio Prado Júnior,

“...vista no plano mundial e internacional, a colonização dos trópicos toma o aspecto de uma empresa comercial, destinada a explorar os recursos naturais de um território virgem em proveito do comércio europeu. É este o verdadeiro sentido da colonização tropical, de que o Brasil é uma das resultantes; e ele explicará os elementos fundamentais, tanto no social como no econômico, da formação e evolução histórica dos trópicos americanos. Se vamos à essência da nossa formação, veremos  que na realidade nos constituímos  para fornecer açúcar, tabaco, alguns outros gêneros; mais tarde, ouro e diamante; depois algodão, e em seguida café, para o comércio europeu. Nada mais que isto. É  com tal objetivo, objetivo exterior, voltado para fora do país e sem atenção a considerações que não fossem o interesse daquele comércio, que se  organizarão a sociedade e a economia brasileiras. Tudo se disporá naquele sentido: a estrutura, bem como as atividades do país. Virá o branco europeu para especular, realizar um negócio; inverterá seus  cabedais e recrutará a mão-de-obra de que precisa:  indígenas ou negros importados. Com tais elementos, articulados numa organização puramente produtora, mercantil, constituir-se-á a colônia brasileira.

Este início, cujo caráter manter-se-á dominante através dos séculos da formação brasileira, gravar-se-á profunda e totalmente nas feições e na vida do país.”(PRADO JR., 1986)

                  Através da iconografia e narrativas religiosas, de viajantes pesquisadores e cronistas que pelo Vale do Paraíba passaram á partir da invasão territorial praticada pelo colonizador português, encontramos literatura que nos informa sobre os povos nativos componentes das sociedades humanas que habitavam o Vale do Paraíba no início da colonização portuguesa. Além da literatura da época, as pesquisas arqueológicas que raramente são executadas e disponibilizadas para a grande maioria da sociedade, revelam sempre novidades acerca dos povos que na região habitaram, e significam nesse século XXI a fonte mais importante para a busca de reconhecimento e compreensão da história de culturas antepassadas que, com suas tradições, usos e costumes, colaboraram na formação diversificada, pluralista e homogênea da composição do Patrimônio Cultural do homem do Vale do Paraíba.  

Os povos que ocupavam a costa litorânea do continente americano e zonas adjacentes internas no século XVI foram descritos por Alfred Métraux como:

“...aborígines, cuja língua e civilização material apresentam uma profunda unidade, estavam divididos em numerosas nações que se combatiam escarniçadamente.  Muito embora cada uma dessas nações ou tribos usasse seu próprio nome, eram todas, geralmente,  de Tupinambás. Na realidade, porém, tal designação, que semelhantes indígenas se davam a si mesmos, historicamente cabia apenas aos tupis estabelecidos no recôncavo do Rio de Janeiro, na região da Bahia e na província do Maranhão.

Apesar de sua total extinção, os tupinambás se podem considerar os aborígines sul-americanos mais bem conhecidos.”

Da religião dos Tupinambás, Metraux descreve as crenças no além-túmulo, assim como foram descritas por Thevet  

“Quando morre o marido, ou a esposa, ou outro qualquer parente - pais, mães, tios ou irmãos - os selvagens curvam-no dentro da própria rede onde falece, dando-lhe a forma de um bloco ou saco, à semelhança da criança no ventre materno; depois, assim envolvido ligado e cingido com cordas de algodão, metem-no em um grande vaso de barro, cobrindo-o com a gamela onde o defunto costumava lavar-se, receando, segundo dizem, que o morto ressuscite, se não está bem amarrado, temor, aliás, muito grande, pois crêem que isso já aconteceu a seus avós, motivo pelo qual convieram em tomar tal precaução.”

   Sobre essa maior proximidade e percepção sobre os Tupinambás, Berta Ribeiro explica que foi o primeiro povo do continente que inicialmente estreitou contatos com o colonizador, pois;     

 “...pertencia à grande família Tupinambá, tronco tupi-guarani, que ocupava quase todo o litoral.

Eram recém-chegados à costa, de onde expulsaram as tribos inimigas, com exceção de alguns grupos, encaminhando-os para o sertão. Os tupi transmitiram aos primeiros cronistas e aos jesuítas a noção de que o mundo indígena se dividia em dois grandes blocos: o dos que falavam a sua língua  e praticavam seus costumes e o de seus contrários, chamados tapuia ( os grupos filiados à família lingüística jê e alguns outros de língua isolada ), o que quer dizer escravo. Essa divisão dos índios no Brasil prevaleceu muito tempo e servia para distinguir os grupos do litoral daqueles do sertão Com o devassamento do interior nos séculos seguintes ao da descoberta, passou-se a ter uma visão mais exata do mosaico indígena que habitava o país.

... Os índios do tronco tupi-guarani eram povos agricultores, com grande mobilidade espacial. Os primeiros colonizadores surpreenderam e até provocaram suas migrações.  A localização precisa desses grupos foi, por isso mesmo, muito difícil. ... Os tupi viviam numa faixa de São Paulo até o Pará.  Os tupi da costa eram conhecidos pelo nome genérico de Tupinambá e se dividiam em vários grupos locais.... Do Rio Paraíba do Sul até Angra dos Reis era domínio dos Tamoio que viviam em constante hostilidade com os Temiminó, ocupantes do baixo Paraíba.”

Paulo Reis Pereira relacionou indígenas que habitaram o Vale do Paraíba: Temiminós, Tupinambás, Puris, Tamoios, Goitacás, Guaianás, Maramomis.  

Acerca de pesquisas recentes realizadas nos sítios arqueológicos de Jacareí, Vale do Paraíba e Estado de São Paulo os arqueólogos Érika M. Robrahn-González e Paulo Zanettini enunciaram que

“... o conhecimento atual sobre a ocupação de grupos ceramistas pré-coloniais no Estado de São Paulo é ainda bastante incompleto... são conhecidos cerca de 200 sítios, que estão longe de corresponder à sua totalidade. Isto se deve, pelo menos em parte, ao fato de contarmos com grandes extensões territoriais praticamente desconhecidas, como é o caso do próprio Vale do Paraíba.... os 200 sítios cerâmicos de São Paulo  apresentam consideráveis variações... variações  na indústria cerâmica  levaram à definição de três grandes unidades classificatórias: a tradição   Tupiguarani, a tradição Itararé e a tradição  Aratu/Sapucaí...informações indicam que os sítios com cerâmica Tupiguarani de São Paulo estão longe de constituir uma unidade.  Ao contrário, fornecem indícios de especificidades locais e regionais...

O sítio Santa Marina de Jacareí apresentou material cerâmico relacionável à tradição Tupiguarani...”
 
 

Os arqueólogos relacionaram outros sítios cerâmicos de Jacareí, que denunciam e confirmam a presença de comunidades indígenas no território do Vale do Paraíba, antes da chegada do colonizador e subseqüentemente a extinção destas.

Sítio Arqueológico Vila Branca pesquisado por González e Zanettini;
 

Sítio Arqueológico Pedregulho escavado por Cristina Scatamacchia;



 
Sítio Arqueológico Mirante do Vale pesquisa realizada por Plácido Cali.


Um comentário:

Anônimo disse...

E o sitio arqueológico da ilha da Ligth no bairro do Varadouro? O único por aqui dos índios Aratus? O q vc tem documentado e o q eles têm arquivado?