Quer conhecer a história do artesanato em Jacareí? Aprecie a entrevista das artesãs Ana Lúcia e Dirce Aparecida.
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Planta - Mapa de 1821 - Antigo Leito do Rio Paraíba do Sul em Jacareí
Do francês Arnauld Julien Pallière, Planta -Mapa de 1821, revela o antigo leito
do Rio Paraíba do Sul em Jacareí e o local do primeiro Pelourinho; pesquisa arquivística e
historiográfica de Cesira Papera.
"Na vida tudo é documento, o resto é História!"
fonte: Arnauld Julien Pallière, PLANTA/MAPA de seu diário; da Coleção Yan de Almeida Prado, do IEB-Instituto de Estudos Brasileiros, pesquisa, achamento e solicitação ao IEB, realizadas por Cesira Papèra.
Arnauld Julien Pallière ( 1784 Bordeaux - França - FR - 27/11/1862 Bordeaux - França - FR )
A polêmica existente em Jacareí, sobre o antigo leito do Rio Paraíba do
Sul, persistiu sempre com a frase popular: "Diz que..."
Desde a infância, nós Jacareienses ouvimos e sentimos essa frase, sempre
como uma incógnita, pois as pessoas mais antigas narram que o leito atual do
Rio Paraíba do Sul, não é o mesmo leito original, e que o evento da mudança do
citado leito, se deu em função de uma briga e rincha entre o Alferes João da Costa
Gomes Leitão (1805 Braga - Portugal - PT - 1879 Jacareí -Brasil - BR ), chamado
de Coronel, dado o seu poder econômico, social e político exercido na região e
no Brasil e o 1° Barão de Jacarehy, Bento Lúcio Machado (1790 ? - 1857 Jacareí
- Brasil -BR ).
Outra informação que ainda não se tinha revelada pela historiografia
local é o local do primeiro Pelourinho
de Jacareí.
Através de estudos realizados em documentos de séculos passados e entrevista
com a Sra. Maria José de Araújo Cappelli, constatamos que o leito do Rio
Paraíba do Sul foi alterado em função da erosão que suas águas e as constantes
enchentes, causavam no morro existente até hoje atrás da Matriz, a Igreja Nossa
Senhora da Conceição, elevação hoje chamada, Ladeira Benedito do Prado.
Pelo desenho da Planta /Mapa de Arnauld Julien Pallière,
se observa que todo o centro da antiga Villa de Jacarehy (escrito Jacarahy no
desenho), órgãos públicos da época e PELOURINHO, se encontravam exatamente
naquele espaço atrás e em torno da Igreja da Matriz, e portanto, por medida de
segurança foi realizada a alteração do leito do rio.
Existia risco de desabamentos e o edifício da Igreja da Matriz estava
comprometido, sendo assim, o Coronel João da Costa Gomes Leitão, conforme
descrevem documentos da época, fervoroso cristão e fiel de Nossa Senhora,
conseguiu realizar obras para alteração de tal leito, conforme informações
constantes em documentos presentes no Arquivo Público da Assembleia Legislativa
de São Paulo.
"... 1821 - Planta/Mapa de Pallière, mostra o antigo leito do Rio Paraíba do Sul, a Praça do Cruzeiro, do Pelourinho, os 2 Portos às margens do mesmo rio, o caminho, estradas que levavam à São José, pela atual rua Luís Simon, e o caminho para Villa de Mogy das Cruzes. O pelourinho se localizava onde hoje se encontra o Solar "Gomes Leitão", tendo sido transferido para a praça no final da estrada para Villa de São José, a Praça do Rossio, para dar lugar ao Solar do Alferes João da Costa Gomes Leitão; conforme documentos que informam a transferência de tal praça. Cesira Papèra historiciza a historiografia Jacareiense, com FONTES PRIMÁRIAS, documentos antigos, de Arquivos Públicos, Privados e Cartórios."
"... 1821 - Planta/Mapa de Pallière, mostra o antigo leito do Rio Paraíba do Sul, a Praça do Cruzeiro, do Pelourinho, os 2 Portos às margens do mesmo rio, o caminho, estradas que levavam à São José, pela atual rua Luís Simon, e o caminho para Villa de Mogy das Cruzes. O pelourinho se localizava onde hoje se encontra o Solar "Gomes Leitão", tendo sido transferido para a praça no final da estrada para Villa de São José, a Praça do Rossio, para dar lugar ao Solar do Alferes João da Costa Gomes Leitão; conforme documentos que informam a transferência de tal praça. Cesira Papèra historiciza a historiografia Jacareiense, com FONTES PRIMÁRIAS, documentos antigos, de Arquivos Públicos, Privados e Cartórios."
Mas a comprovação de todos esses fatos não nos vem através de opiniões
pessoais ou de outros livros que repetem as mesmas estórias locais, no caso de
Jacareí é a estória da briga do Coronel e do Barão e a lenda da Cobra-grande.
É necessária a ampla e apurada pesquisa nos Arquivos Públicos ou
Privados, para que se obtenha resposta às questões históricas, e por isso o
Brasil e seus municípios precisam desenvolver o trabalho de organização de seus
Arquivos, pois através dos documentos antigos, conseguimos ter acesso às
informações da época, necessitando sempre tratar, organizar e preservar os
documentos para que eles possam nos trazer notícias para que possamos
desenvolver a historiografia das localidades, das cidades no Brasil.
Foi através de anos de pesquisas e investigações em vários ambientes culturais,
Arquivos e ambientes de acesso à informação; que consegui localizar esse documento que apresenta dados sobre as
polêmicas históricas de Jacareí.
Foi através do "Diário de Pallière" do desenhista francês ARNAULD JULIEN PALLIÈRE que localizei essas
informações, tendo então, eu me dirigido ao Arquivo portador de seus direitos e
pedido o acesso à obra do Acervo YAN DE
ALMEIDA PRADO, e conseguido autorização para utilizá-la e divulgá-la em
minhas pesquisas, sempre com a devida apresentação da legenda de direitos do IEB - Instituto de Estudos Brasileiros:
COD.32,001- PLANTA/MAPA - Coleção Yan de Almeida Prado
Arnauld Julien Pallière ( 1784 Bordeaux - França - FR - 27/11/1862 Bordeaux - França - FR )
Arnauld Julien Pallière ( 1784 Bordeaux - França - FR - 27/11/1862 Bordeaux - França - FR )
fonte: Arnauld Julien Pallière, PLANTA/MAPA do Diário do desenhista francês; da Coleção Yan de Almeida prado, do IEB-Instituto de Estudos Brasileiros, pesquisa, achamento e solicitação ao IEB, realizadas por Cesira Papèra.
Sou jacareiense, profissional da área
de História, com estudos e trabalhos realizados cotidianamente, em Arquivos,
para tantos pesquisadores, sobre temas
diferentes; mas a dúvida sobre a mudança do leito do Rio Paraíba do Sul,
permanecia sempre em minha cabeça, por anos pensando sobre o evento, além das lendas
e estórias de escritores locais, eu pensava sempre sobre como era o leito antes
da falada mudança; essas dúvidas perduravam em minha mente, toda vez que me
encontrava em frente aos Arquivos e sabia que em algum documento poderia estar
uma informação à respeito da minha Jacareí.
É essa a vida de pesquisador, vive
sempre pensando, pensando e investigando, e as polêmicas historiográficas sobre
Jacareí sempre me acompanharam, mesmo tendo vivido por 15 anos na Itália, o
pensamento nunca me deu trégua; eu haveria de achar um dia, alguma informação
em documento antigo, sobre a mudança do leito do Rio Paraíba do Sul; até o dia em que encontrei o desenho de
Pallière, mas não pude obtê-lo, e este passou a fazer parte dos meus dias; até
eu chegar até ele novamente, teve um longo caminho; passaram-se 17 anos; descreverei
então qual foi o primeiro contato com o documento e qual foi o percurso
da pesquisa na busca da informação e documento almejado:
Através do desenvolvimento de trabalhos de pesquisa de História e
Genealogia em Arquivos Públicos do Brasil, Portugal e Itália, sempre tive a
necessidade de rastrear vários tipos de documentos europeus que mostrassem a
descrição e relatos de escritores, desenhistas, naturalistas, pesquisadores e
desbravadores que colonizaram e viajaram pelo Brasil desde o início de sua
colonização até os final do século XIX; sendo assim, dediquei muitas vezes
parte de meu tempo e intelecto, buscando informações documentais sobre a região
do Vale do Paraíba e minha cidade de Jacarehy, em vários ambientes
histórico-culturais na Europa, onde vivi à partir de 1992.
Foi então, em Paris, na França, em 1995, visitando uma Mostra de
Gravuras do Continente Americano, feitas por desenhistas franceses dos séculos
XVIII e XIX, que encontrei uma parte de um "Diário de Viagem" de um francês
que veio ao Brasil e em viagens pela Capitania de Minas Gerais e Rio de
Janeiro, desenhou as antigas "Villas" do Vale do Paraíba; o nome do
autor era Arnauld Julien Pallière ( 1784 Bordeaux - França - FR -
27/11/1862 Bordeaux - França - FR.
A obra era PALLIÈRE, A. J. Mon
voyage dans les mines générales (...) le 16 de Juillet de 1821.
Arnauld Julien Pallière ( 1784 Bordeaux - França - FR - 27/11/1862 Bordeaux - França - FR )
A obra estava sendo esfolhada por uma outra pessoa, mas imediatamente me
chamou atenção porque mostrava os desenhos em planta-mapa das cidades do Vale
do Paraíba, então chamadas "Villas". Pedi então licença à pessoa e ao
ter em mãos a obra, constatei que nela existiam os desenhos dos centros
antigos, primeiros, das "Villas"do nosso Vale do Paraíba do Sul:
"Villa de Jacarehy (escrito Jacarahy, no desenho), Villa de São Jozé,
Villa de Guaratinguetá, Taubathé e Lorena", e nos desenhos, o traçado do
leito do "Rio Paraíba do Sul, escrito "Rio Parahiba", sempre
muito próximo aos centros, com os seu leito exatamente como se configurava em
1821.
Devolvi a obra ao pesquisador e aguardei a sua decisão, ele decidiu
comprá-la, então anotei os dados da obra e do autor e dei início à pesquisa
sobre eles para poder realizar consultas, pensando que pudesse encontrar
referências sobre a obra facilmente na França.
Assim iniciou-se uma pesquisa obstinada; desde 1995, do momento em que
vi o desenho da "Villa de Jacarahy" feito por Pallière, passei à
procurá-lo em todos os Arquivos Públicos, Bibliotecas, Livrarias, Sebos de
livros e ambientes de pesquisa na Europa, e não tinha sucesso, porque não
existiam outros exemplares à venda.
Naquele período não existiam
ainda muitos dados e informações na Internet e durante os anos de pesquisa, em
enciclopédias, Arquivos e Bibliotecas e outras referências, descobri um pouco
sobre Pallière e muito depois, localizei a obra original.
Arnauld Julien Pallière ( 1784 Bordeaux - França - FR - 27/11/1862 Bordeaux - França - FR )
Arnauld Julien Pallière ( 1784 Bordeaux - França - FR - 27/11/1862 Bordeaux - França - FR )
Arnauld Jullien Pallière ou Armand Jullien Pallière, foi um professor, desenhista,
pintor, litógrafo, decorador de ambientes, urbanista, observador dos centros
habitados e da geografia e por isso tinha realizado os desenhos das antigas
"Villas do Vale do Paraíba"; veio ao Brasil no mesmo navio da
Arquiduquesa da Áustria Maria Leopoldina, em 1817, que veio ao Brasil para se casar com D. Pedro de Alcântara, o D. Pedro I, tendo se
tornado posteriormente Imperatriz Maria Leopoldina. Pallière permaneceu no
Brasil por alguns anos e desenvolveu,
então vários trabalhos para a monarquia portuguesa.
Durante vários anos, me foi possível descobrir
informações sobre Pallière, mas somente em 2012, consegui chegar até a obra
original de Pallière e tê-la em mãos:
O "Diário de Viagem" de Pallière, se intitula originalmente:
"Mon voyage dans Les Mines
Gènerales, de la Capª. de Rio de Janeiro en 1821"
Pallière, A. J.
Le 16 de Juillet de 1821
Arnauld Julien Pallière ( 1784 Bordeaux - França - FR - 27/11/1862 Bordeaux - França - FR )
Arnauld Julien Pallière ( 1784 Bordeaux - França - FR - 27/11/1862 Bordeaux - França - FR )
Localizei o desenho de Pallière, em que aparece o antigo leito do Rio
Paraíba do Sul em Jacareí e em outras "Villas" do Vale do Paraíba, no
IEB - Instituto de Estudos Brasileiros da USP - Universidade de São Paulo, no
Acervo de Yan Almeida Prado e suas referências arquivísticas são:
Acervo:
|
Yan de Almeida Prado
|
Código de Ref.:
|
YAP-032-002
|
Espécie/Formato/Tipo:
|
PLANTA
|
Título:
|
Planta de localidades do Vale do Paraíba
|
Descrição:
|
Representação gráfica desenhada à mão das vilas de Pindamunhangaba
(Pindamonhangaba), Taubathé (Taubaté) - frente -, São Jozé (São José dos
Campos), Jacarahy (Jacareí), Guaratinguetá e Lorena. Estão representadas as
quadras, os caminhos de uma vila à outra e o Rio Parahiba além de igrejas
identificadas por legenda manscrita. Apresenta ainda, identificada como
"Fig. 9a", a igreja "N. S. Aparecida. Apresenta ainda
observações manuscritas, algumas em forma de correção.
|
Localidade:
|
Guaratinguetá
Jacareí Lorena, SP, BRA PINDAMONHANGABA, SP, BRA São José dos Campos, SP, BRA Taubaté, SP, BRA |
Atualmente, parte da obra pode ser encontrada na rede:
Fonte: Catálogo Eletrônico IEB/USP
Arnauld Julien Pallière ( 1784 Bordeaux - França - FR - 27/11/1862 Bordeaux - França - FR )
PALLIÈRE, A. J. Mon voyage dans les mines
générales (...) le 16 de Juillet de 1821. Acervo IEB-USP, Manuscrito
n. 32 (coleção Yan de Almeida Prado)
Atualmente
podem ser encontradas também na rede Internet, informações sobre A.J.Pallière,
mas durante os anos de pesquisa, Pallière não era tão difundido e divulgado,
portanto a PLANTA-MAPA de Pallière, que utilizo em minhas pesquisas e
divulgações sobre a Historiografia de Jacareí, possuem a legenda e esta
deve ser citada quando um outro pesquisador ou estudante realiza suas pesquisas
na Internet, porque a PLANTA MAPA de Pallière de modo recortado e destinado à
pesquisa historiográfica local de Jacareí, foi solicitado por mim, CESIRA
PAPERA ao IEB - Instituto de Estudos Brasileiros, e eu devo seguir as regras de
apresentação do documento e sua legenda para o público consulente.
Solicito,
então aos pesquisadores que farão uso desse documento e dessa informação
contida nesse documento, que apresentem a fonte e repassem o crédito da fonte,
porque assim se faz em pesquisa científica e de acordo com a legislação
vigente: damos os créditos às fontes consultadas e aos profissionais que
realizaram as pesquisas anteriormente à nós.
Meu
trabalho como pesquisadora de História local e Arquivologia em Jacareí -SP,
deve ser acima de tudo de instruir e orientar os outros pesquisadores, porque
sou a única profissional de História de Jacareí - SP, sócio-membro da ARQSP -
Associação dos Arquivistas de São Paulo e da ASBRAP - Associação Brasileira de
Pesquisadores de História e Genealogia.
Os
municípios brasileiros devem avançar na organização de seus Arquivos Públicos e
Privados e para isso devemos colaborar, nós que somos pesquisadores e
consulentes, na observação do cumprimento das normas e legislação relativa aos
Arquivos e às informações.
No Brasil, existe a Lei de Arquivos No 8.159, DE 8 DE JANEIRO DE 1991.
LAI - Lei de Acesso à Informação 12.527/11 ,
que podem nos auxiliar na salvação dos documentos e Arquivos brasileiros.
Divergências
sobre o primeiro nome de Pallière:
Existem divergências sobre o seu primeiro
nome de Pallière, em algumas
biografias aparecem, Arnauld ou Armand conforme constam nas anotações
arquivísticas atualmente na rede Internet:
Segundo a catalogação de Rosemarie E. Horch (1966)
No “Registro de Estrangeiros 1808-1822” (Rio, 1960), a p. 233, consta o nome de
Pallière da seguinte forma: “Pallière, Armand Julien Francês – Parte p.ª Minas
Gerais 6-7-1821 Col. 423- livro 1 – fls. 275v,” Na obra de Leon Palliere
“Diário de viaje por la America del Sud” (Buenos Aires, 1945) p. 16-18 vem uma
introdução sobre a vida e a obra do artista e nesta se escreve: “Otro artista
francés que se radico en Rio de Janeiro fue Arnaud Julien Palliere, pintor de
camara de Don Juan VI. Nacio em Burdeos em 1784 y murio en Rio de Janeiro el 27
de noviembre de 1862. Era hijo del pintor y grabador Jean Pallière. Estudió em
el taller de Francisco Andrés Vincent, dedicandose, como maestro, al gênero
histórico y mitológico. Entre sus cuadros se destaca ‘Amour e mort de
Epaminondas’. Expuso en el Salón de Paris em 1808, 1810 y 1812. Fué a Portugal
recomendado a la duquesa de Cadaval, que se hallaba en Lisboa, circunstancia
que quiza motivo su viaje al Brasil, para donde se embarco en el navio de
guerra Don João, que llevó a la princesa austríaca Leopoldina Josefa Carolina,
futura emperatriz, llegada a Rio de Janeiro el 12 de noviembre de 1817. Sobre
la actuación de Pallière em Portugal se há ocupado el director del Archivo
Histórico de Lisboa, coronel Enrique de Campos Ferreira Lima, quien en 1931
publicó en la revista Portucale um artículo titulado “Um pintor franzes em
Portugal: Armand Julien Pallière.” (...) Arnaud Julien Palliére contrajo
matrimonio en Rio de Janeiro con Agustina Elisa Julia Grandjean de Montigny,
siendo Leon su hijo primogênito, nacido en ciudad, en la calle de los Barbonios
n.º 72, el 1º de enero de 1823...” Na “Revista do Serviço do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional”, Nº 3 (Rio, 1939) a p. 123-148 vem um artigo
intitulado “Dois artistas franceses no Rio de Janeiro. Armand Julien Pallière e
Luiz Aleixo Boulanger. (Subsídios para a história da litografia no Brasil)” da
autoria de Francisco Marques dos Santos. Neste artigo vem uma relação das
diversas obras de Pallière, afirmando contudo que faleceu em Bordéus a 27 de
Novembro de 1862, informação esta confirmada pelo Dictionnaire des peintres,
sculteurs, dessinateurs et graveurs” de E. Benezit (v. 6 p. 492). Nesta relação
vem também gravuras e pelas quais se vê que Pallière aproveitou seus
conhecimentos da arte de gravura e da litografia, litografando-as. É assim o
primeiro litógrafo do Rio de Janeiro. Foi, ainda, segundo Marques dos Santos,
durante sua estadia no Brasil, professor da Academia Militar, Capitão graduado
do Imperial Corpo de Engenheiros, pintor da Imperial Câmara.
Fonte: Acervo Yan de Almeida Prado
Arnauld Julien Pallière ( 1784 Bordeaux - França - FR - 27/11/1862 Bordeaux - França - FR )
Abaixo seguem REFERÊNCIAS ARQUIVÍSTICAS sobre o Acervo Yan de
Almeida Prado.
As REFERÊNCIAS sobre os documentos que utilizo com autorização
do IEB, possuem legenda do documento e da pesquisa de Cesira Papera.
Obrigada pela leitura e boa pesquisa à todos
os leitores!
Acervo:
|
Yan de Almeida Prado
|
||||
Código de Ref.:
|
YAP-032
|
||||
Unidade de Armazenamento:
|
Caixa 01 - Códices 14, 17, 18, 29, 32, 43 (Sala 1)
|
||||
Posição no Quadro de Arranjo:
|
Coleção de Códices
|
||||
Gênero Documental:
|
Textual
|
||||
Espécie/Tipo/Formato:
|
CÓDICE
|
||||
Título:
|
Mon Voyage dans le mines générales, de la Cape. de Rio de Janeiro en
1821. Le 16 Juillet de 1821.
|
||||
Descrição:
|
Encadernado inteiramente em couro, sem dizeres na capa.
Ao alto da segunda folha encontra-se a inscrição "A Pallière". A obra divide-se em duas partes, sendo que a primeira descreve partes da cidade do Rio de Janeiro e sua viagem até São Paulo. Descreve diversas vilas do vale do Paraíba, como Lorena, Guaratinguetá, etc. A segunda parte traz ao alto da página “Mon depart de St. Paul pour Santos”, saindo a 28 de agosto. A 20 de setembro de 1821 parte novamente de São Paulo para Minas Gerais. A caligrafia é legível, mas não é contínua, apresentando trechos com letras e coloração (tintas) diferentes, e outros escritos à lápis. Na capa anterior há um estojo, que contém o mapa topográfico das então vilas de Pindamonhangaba, Taubaté, Guaratinguetá, Lorena e Jacareí. Traz também na mesma folha desdobrada o desenho da igreja de N. S. da Aparecida. Colado neste estojo encontra-se ainda um impresso “Planta do Rio de Janeiro”. |
||||
Suporte:
|
Papel
|
||||
Técnica de Registro:
|
Impresso Gráfico
Manuscrito |
||||
Localidade:
|
Guaratinguetá
Jacareí Lorena, SP, BRA PINDAMONHANGABA, SP, BRA Rio de Janeiro, RJ, BRA Taubaté, SP, BRA |
||||
Data:
|
16/7/1821
|
||||
Idioma:
|
Francês
Português |
||||
Núm. de Folhas:
|
76
|
||||
Autor:
|
Arnaud Julien Pallière
|
||||
Altura:
|
17 cm
|
||||
Largura:
|
11 cm
|
||||
Observações:
|
Descrição antiga: Viagem de Armand Julien Pallière passando pelo Rio
de Janeiro, pelas vilas do Vale do Paraíba como Lorena, Guaratinguetá,
Jacareí, por São Paulo até chagar em Minas Gerais. 1 doc. ms. 2 Mapas e 1
Planta Cromos: 69 / 70 / 71. Digitalizado VER CDR´57 e CDR´97a.
|
||||
Notas de pesquisa:
|
Segundo a catalogação de Rosemarie E. Horch (1966) No “Registro de
Estrangeiros 1808-1822” (Rio, 1960), a p. 233, consta o nome de Pallière da
seguinte forma: “Pallière, Armand Julien Francês – Parte p.ª Minas Gerais
6-7-1821 Col. 423- livro 1 – fls. 275v,” Na obra de Leon Palliere “Diário de
viaje por la America del Sud” (Buenos Aires, 1945) p. 16-18 vem uma
introdução sobre a vida e a obra do artista e nesta se escreve: “Otro artista
francés que se radico en Rio de Janeiro fue Arnaud Julien Palliere, pintor de
camara de Don Juan VI. Nacio em Burdeos em 1784 y murio en Rio de Janeiro el
27 de noviembre de 1862. Era hijo del pintor y grabador Jean Pallière.
Estudió em el taller de Francisco Andrés Vincent, dedicandose, como maestro,
al gênero histórico y mitológico. Entre sus cuadros se destaca ‘Amour e mort
de Epaminondas’. Expuso en el Salón de Paris em 1808, 1810 y 1812. Fué a
Portugal recomendado a la duquesa de Cadaval, que se hallaba en Lisboa,
circunstancia que quiza motivo su viaje al Brasil, para donde se embarco en
el navio de guerra Don João, que llevó a la princesa austríaca Leopoldina
Josefa Carolina, futura emperatriz, llegada a Rio de Janeiro el 12 de
noviembre de 1817. Sobre la actuación de Pallière em Portugal se há ocupado
el director del Archivo Histórico de Lisboa, coronel Enrique de Campos
Ferreira Lima, quien en 1931 publicó en la revista Portucale um artículo
titulado “Um pintor franzes em Portugal: Armand Julien Pallière.” (...)
Arnaud Julien Palliére contrajo matrimonio en Rio de Janeiro con Agustina
Elisa Julia Grandjean de Montigny, siendo Leon su hijo primogênito, nacido en
ciudad, en la calle de los Barbonios n.º 72, el 1º de enero de 1823...” Na
“Revista do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional”, Nº 3 (Rio,
1939) a p. 123-148 vem um artigo intitulado “Dois artistas franceses no Rio
de Janeiro. Armand Julien Pallière e Luiz Aleixo Boulanger. (Subsídios para a
história da litografia no Brasil)” da autoria de Francisco Marques dos
Santos. Neste artigo vem uma relação das diversas obras de Pallière,
afirmando contudo que faleceu em Bordéus a 27 de Novembro de 1862, informação
esta confirmada pelo Dictionnaire des peintres, sculteurs, dessinateurs et
graveurs” de E. Benezit (v. 6 p. 492). Nesta relação vem também gravuras e
pelas quais se vê que Pallière aproveitou seus conhecimentos da arte de
gravura e da litografia, litografando-as. É assim o primeiro litógrafo do Rio
de Janeiro. Foi, ainda, segundo Marques dos Santos, durante sua estadia no
Brasil, professor da Academia Militar, Capitão graduado do Imperial Corpo de
Engenheiros, pintor da Imperial Câmara.
|
||||
Referências Onomásticas:
|
Agustina Elisa Julia Grandjean de Montigny
Arnaud Julien Pallière Francisco Marques dos Santos Henrique de Campos Ferreira Lima Luiz Aleixo Boulanger |
||||
Este documento contém:
|
|||||
Status:
|
Disponível para consulta
|
quarta-feira, 6 de março de 2013
Antigo leito do Rio Paraíba do Sul
Home » Educação, Geral, Serviço, Últimas Notícias
Historiadora encontra desenho do antigo curso do leito do Rio Paraíba
A historiadora jacareiense Cesira Papéra encontrou um desenho de 1829, em que consta o antigo curso do leito do Rio Paraíba do Sul em Jacareí. Entre tantas histórias contadas sobre a mudança do leito do Rio Paraíba do Sul, o desenho é um documento raro que pode comprovar documentalmente a real mudança.
Cesira conta que, em suas pesquisas, utiliza o Arquivo da Torre do Tombo de Lisboa, em Portugal, pois antes de Jacareí pertencer ao Brasil, pertencia à Coroa Portuguesa. E foi em Paris, em visita a uma Mostra de Gravuras do Continente Americano, feitas por desenhistas franceses dos séculos XVIII e XIX, que a historiadora encontrou plantas de cidades do Vale do Paraíba e uma delas era a planta de Jacareí. “Os portugueses sempre foram mestres na arquivologia e lá existe documentação sobre a Villa de Jacarehy”, comenta.
De acordo com a historiadora o desenho aparece nas anotações de um desenhista francês em seu diário de viagem nos momentos em que passou por Jacareí e mostra o antigo percurso que fazia o Rio Paraíba do Sul. “Mostra também o Centro Histórico de Jacareí na época, o Porto, a estrada que levava à São José dos Campos e o local do antigo Cruzeiro e Pelourinho”, relata.
Cesira declara que foi necessário certo tempo para ter em mãos a cópia e a digitalização desse documento histórico e uma solicitação teve de ser encaminhada para que a planta pudesse ser divulgada. Atualmente o desenho pertence a uma Coleção presente em um Arquivo Histórico Brasileiro.
A historiadora disse que existem outros dois desenhos que retratam a mudança do leito. Um desenho foi feito por Luiz José Navarro da Cruz sobre uma foto antiga da cidade. “Luiz José numa ação precursora na preservação do Patrimônio Cultural de Jacareí, recolheu muitas das primeiras fotos da cidade e promoveu, junto ao fotógrafo Cambusano, o restauro de todas elas. Ele selecionou a foto em que aparecia o leito do Rio atual e desenhou sobre ela o possível leito antigo do Rio, conforme ele havia conhecido através das narrações de pessoas mais idosas”, conta.
O segundo desenho foi feito pelo jornalista João Baptista Denis Netto, mais conhecido como Jobanito, e publicado no Livro “Pelas ruas da Cidade”. “Com suas memórias Jobanito escreveu e registrou importante parte da história da vida urbana de Jacareí”, relatou Cesira.
Cesira cobra incentivo às instituições científicas
A historiadora explicou que os resultados são obtidos através de trabalhos de pesquisa histórica, que requerem recursos e incentivos, que, muitas vezes, não são fornecidos pelo município. “É necessário que a cidade crie mecanismos de incentivo e fomento às instituições científicas e não somente pague altos salários à profissionais que vêm de outras cidades. O preenchimento de cargos nesse setor deve ser feito através de concurso público, não basta ser amigo do Prefeito para trabalhar ali onde se faz a tutela de Patrimônio Cultural. Não basta realizar eventos para mostrar a Cultura, nós devemos instituir a cientificidade aqui e isso se faz com leis”, argumentou.
Cesira também fez sugestões quanto a importância dada ao registro histórico em Jacareí, inclusive nas escolas. “Jacareí possui fragmentos arqueológicos de períodos pré-colombianos, podemos ter aqui o maior Museu Arqueológico do Vale do Paraíba ou do Estado de São Paulo. Podemos criar o ensino de Arqueologia local nas escolas e sítios arqueológicos serem utilizados para a realização de aulas, as crianças aprenderiam arqueologia e ciência num Museu a Céu Aberto. A História pode auxiliar na resolução de problemas atuais e servir de exemplo para a prevenção de conflitos futuros”, afirmou.
No mês de Março, Cesira lançará em seu site www.patrimonioculturaljacarehy.com.br os resultados de suas pesquisas historiográficas sobre Jacareí.
Cesira conta que, em suas pesquisas, utiliza o Arquivo da Torre do Tombo de Lisboa, em Portugal, pois antes de Jacareí pertencer ao Brasil, pertencia à Coroa Portuguesa. E foi em Paris, em visita a uma Mostra de Gravuras do Continente Americano, feitas por desenhistas franceses dos séculos XVIII e XIX, que a historiadora encontrou plantas de cidades do Vale do Paraíba e uma delas era a planta de Jacareí. “Os portugueses sempre foram mestres na arquivologia e lá existe documentação sobre a Villa de Jacarehy”, comenta.
De acordo com a historiadora o desenho aparece nas anotações de um desenhista francês em seu diário de viagem nos momentos em que passou por Jacareí e mostra o antigo percurso que fazia o Rio Paraíba do Sul. “Mostra também o Centro Histórico de Jacareí na época, o Porto, a estrada que levava à São José dos Campos e o local do antigo Cruzeiro e Pelourinho”, relata.
Cesira declara que foi necessário certo tempo para ter em mãos a cópia e a digitalização desse documento histórico e uma solicitação teve de ser encaminhada para que a planta pudesse ser divulgada. Atualmente o desenho pertence a uma Coleção presente em um Arquivo Histórico Brasileiro.
A historiadora disse que existem outros dois desenhos que retratam a mudança do leito. Um desenho foi feito por Luiz José Navarro da Cruz sobre uma foto antiga da cidade. “Luiz José numa ação precursora na preservação do Patrimônio Cultural de Jacareí, recolheu muitas das primeiras fotos da cidade e promoveu, junto ao fotógrafo Cambusano, o restauro de todas elas. Ele selecionou a foto em que aparecia o leito do Rio atual e desenhou sobre ela o possível leito antigo do Rio, conforme ele havia conhecido através das narrações de pessoas mais idosas”, conta.
O segundo desenho foi feito pelo jornalista João Baptista Denis Netto, mais conhecido como Jobanito, e publicado no Livro “Pelas ruas da Cidade”. “Com suas memórias Jobanito escreveu e registrou importante parte da história da vida urbana de Jacareí”, relatou Cesira.
Cesira cobra incentivo às instituições científicas
A historiadora explicou que os resultados são obtidos através de trabalhos de pesquisa histórica, que requerem recursos e incentivos, que, muitas vezes, não são fornecidos pelo município. “É necessário que a cidade crie mecanismos de incentivo e fomento às instituições científicas e não somente pague altos salários à profissionais que vêm de outras cidades. O preenchimento de cargos nesse setor deve ser feito através de concurso público, não basta ser amigo do Prefeito para trabalhar ali onde se faz a tutela de Patrimônio Cultural. Não basta realizar eventos para mostrar a Cultura, nós devemos instituir a cientificidade aqui e isso se faz com leis”, argumentou.
Cesira também fez sugestões quanto a importância dada ao registro histórico em Jacareí, inclusive nas escolas. “Jacareí possui fragmentos arqueológicos de períodos pré-colombianos, podemos ter aqui o maior Museu Arqueológico do Vale do Paraíba ou do Estado de São Paulo. Podemos criar o ensino de Arqueologia local nas escolas e sítios arqueológicos serem utilizados para a realização de aulas, as crianças aprenderiam arqueologia e ciência num Museu a Céu Aberto. A História pode auxiliar na resolução de problemas atuais e servir de exemplo para a prevenção de conflitos futuros”, afirmou.
No mês de Março, Cesira lançará em seu site www.patrimonioculturaljacarehy.com.br os resultados de suas pesquisas historiográficas sobre Jacareí.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Sítios Arqueológicos de Jacarehy-SP
PREÂMBULOS GEOGRÁFICOS, HISTÓRICOS, ANTROPOLÓGICOS E ARQUEOLÓGICOS DO VALE DO PARAÍBA
O Patrimônio Cultural foi
negligenciado historicamente no Brasil e em particular na cidade de Jacareí. A
política cultural gerenciada por classe dirigente dominante com cultura
política fundamentada na exploração do bem natural e público, na violência
física para manutenção de exploração humana com o sistema escravista, no coronelismo
implementado desde o século XIX; representada no século XX por imigrantes e migrantes
oriundos de várias regiões brasileiras, em função da industrialização do Vale
do Paraíba; neste século XXI submete o Poder Público Constituído e o mercado
local às suas necessidades estruturais de manutenção de empregos e negócios. Visto
ser essa política cultural, resultado de anseios políticos de classe dirigente descrita
e caracterizada historicamente; configura-se desprovida de mecanismos de
reconhecimento acerca da importância da historicidade Jacareiense; e sempre intermediou
o contexto social, o desenvolvimento econômico da cidade e o reconhecimento do
pleno exercício da cidadania no âmbito da proteção e preservação do Patrimônio
Cultural.
A determinação do capital
internacional promoveu a extinção dos povos originários, deu origem às cidades
e ao processo de desenvolvimento destas, traçou a trajetória e garantiu a
manutenção no poder de grupos oligárquicos, institucionais e chefes locais, no
Vale do Paraíba. Na concepção de Caio
Prado Júnior,
“...vista
no plano mundial e internacional, a colonização dos trópicos toma o aspecto de
uma empresa comercial, destinada a explorar os recursos naturais de um
território virgem em proveito do comércio europeu. É este o verdadeiro sentido
da colonização tropical, de que o Brasil é uma das resultantes; e ele explicará
os elementos fundamentais, tanto no social como no econômico, da formação e
evolução histórica dos trópicos americanos. Se vamos à essência da nossa
formação, veremos que na realidade nos
constituímos para fornecer açúcar,
tabaco, alguns outros gêneros; mais tarde, ouro e diamante; depois algodão, e
em seguida café, para o comércio europeu. Nada mais que isto. É com tal objetivo, objetivo exterior, voltado
para fora do país e sem atenção a considerações que não fossem o interesse
daquele comércio, que se organizarão a sociedade
e a economia brasileiras. Tudo se disporá naquele sentido: a estrutura, bem
como as atividades do país. Virá o branco europeu para especular, realizar um
negócio; inverterá seus cabedais e
recrutará a mão-de-obra de que precisa:
indígenas ou negros importados. Com tais elementos, articulados numa organização
puramente produtora, mercantil, constituir-se-á a colônia brasileira.
Este
início, cujo caráter manter-se-á dominante através dos séculos da formação
brasileira, gravar-se-á profunda e totalmente nas feições e na vida do país.”(PRADO
JR., 1986)
Através da iconografia e
narrativas religiosas, de viajantes pesquisadores e cronistas que pelo Vale do
Paraíba passaram á partir da invasão territorial praticada pelo colonizador
português, encontramos literatura que nos informa sobre os povos nativos
componentes das sociedades humanas que habitavam o Vale do Paraíba no início da
colonização portuguesa. Além da literatura da época, as pesquisas arqueológicas
que raramente são executadas e disponibilizadas para a grande maioria da
sociedade, revelam sempre novidades acerca dos povos que na região habitaram, e
significam nesse século XXI a fonte mais importante para a busca de
reconhecimento e compreensão da história de culturas antepassadas que, com suas
tradições, usos e costumes, colaboraram na formação diversificada, pluralista e
homogênea da composição do Patrimônio Cultural do homem do Vale do Paraíba.
Os povos que ocupavam a costa litorânea do continente americano e zonas
adjacentes internas no século XVI foram descritos por Alfred Métraux como:
“...aborígines,
cuja língua e civilização material apresentam uma profunda unidade, estavam
divididos em numerosas nações que se combatiam escarniçadamente. Muito embora cada uma dessas nações ou tribos
usasse seu próprio nome, eram todas, geralmente, de Tupinambás. Na realidade, porém, tal
designação, que semelhantes indígenas se davam a si mesmos, historicamente
cabia apenas aos tupis estabelecidos no recôncavo do Rio de Janeiro, na região
da Bahia e na província do Maranhão.
Apesar
de sua total extinção, os tupinambás se podem considerar os aborígines
sul-americanos mais bem conhecidos.”
Da religião dos Tupinambás, Metraux descreve as crenças no além-túmulo,
assim como foram descritas por Thevet
“Quando
morre o marido, ou a esposa, ou outro qualquer parente - pais, mães, tios ou irmãos
- os selvagens curvam-no dentro da própria rede onde falece, dando-lhe a forma
de um bloco ou saco, à semelhança da criança no ventre materno; depois, assim
envolvido ligado e cingido com cordas de algodão, metem-no em um grande vaso de
barro, cobrindo-o com a gamela onde o defunto costumava lavar-se, receando,
segundo dizem, que o morto ressuscite, se não está bem amarrado, temor, aliás,
muito grande, pois crêem que isso já aconteceu a seus avós, motivo pelo qual
convieram em tomar tal precaução.”
Sobre
essa maior proximidade e percepção sobre os Tupinambás, Berta Ribeiro explica
que foi o primeiro povo do continente que inicialmente estreitou contatos com o
colonizador, pois;
“...pertencia à grande família Tupinambá,
tronco tupi-guarani, que ocupava quase todo o litoral.
Eram
recém-chegados à costa, de onde expulsaram as tribos inimigas, com exceção de
alguns grupos, encaminhando-os para o sertão. Os tupi transmitiram aos
primeiros cronistas e aos jesuítas a noção de que o mundo indígena se dividia
em dois grandes blocos: o dos que falavam a sua língua e praticavam seus costumes e o de seus
contrários, chamados tapuia ( os grupos filiados à família lingüística jê e
alguns outros de língua isolada ), o que quer dizer escravo. Essa divisão dos
índios no Brasil prevaleceu muito tempo e servia para distinguir os grupos do
litoral daqueles do sertão Com o devassamento do interior nos séculos seguintes
ao da descoberta, passou-se a ter uma visão mais exata do mosaico indígena que
habitava o país.
... Os
índios do tronco tupi-guarani eram povos agricultores, com grande mobilidade
espacial. Os primeiros colonizadores surpreenderam e até provocaram suas
migrações. A localização precisa desses
grupos foi, por isso mesmo, muito difícil. ... Os tupi viviam numa faixa de São
Paulo até o Pará. Os tupi da costa eram
conhecidos pelo nome genérico de Tupinambá e se dividiam em vários grupos
locais.... Do Rio Paraíba do Sul até Angra dos Reis era domínio dos Tamoio que
viviam em constante hostilidade com os Temiminó, ocupantes do baixo Paraíba.”
Paulo Reis Pereira relacionou indígenas que habitaram o Vale do Paraíba: Temiminós,
Tupinambás, Puris, Tamoios, Goitacás, Guaianás, Maramomis.
Acerca de pesquisas recentes realizadas nos sítios arqueológicos de
Jacareí, Vale do Paraíba e Estado de São Paulo os arqueólogos Érika M. Robrahn-González
e Paulo Zanettini enunciaram que
“... o
conhecimento atual sobre a ocupação de grupos ceramistas pré-coloniais no
Estado de São Paulo é ainda bastante incompleto... são conhecidos cerca de 200
sítios, que estão longe de corresponder à sua totalidade. Isto se deve, pelo
menos em parte, ao fato de contarmos com grandes extensões territoriais
praticamente desconhecidas, como é o caso do próprio Vale do Paraíba.... os 200
sítios cerâmicos de São Paulo apresentam
consideráveis variações... variações na
indústria cerâmica levaram à definição
de três grandes unidades classificatórias: a tradição Tupiguarani, a tradição Itararé e a
tradição Aratu/Sapucaí...informações
indicam que os sítios com cerâmica Tupiguarani de São Paulo estão longe de
constituir uma unidade. Ao contrário,
fornecem indícios de especificidades locais e regionais...
O
sítio Santa Marina de Jacareí apresentou material cerâmico relacionável à
tradição Tupiguarani...”
Os Sítios Arqueológicos de Jacareí, a nossa herança indígena.
Os arqueólogos relacionaram outros sítios cerâmicos de Jacareí, que
denunciam e confirmam a presença de comunidades indígenas no território do Vale
do Paraíba, antes da chegada do colonizador e subsequentemente a extinção
destas.
Sítio Arqueológico Mirante do Vale pesquisa realizada por Plácido Cali.
Relação parcial
de Sítios Arqueológicos de Jacareí
Acerca das pesquisas realizadas
nos últimos 30 anos nos sítios arqueológicos de Jacareí -SP, os arqueólogos
Érika M. Robrahn-Gonçalez e Paulo Zanettini enunciaram que "... o
conhecimento atual sobre a ocupação dos grupos ceramistas pré-coloniais no
Estado de São Paulo é ainda bastante incompleto ... são conhecidos cerca de 200
sítios, que estão longe de corresponder à sua totalidade. isto se deve, pelo
menos em parte, ao fato de contarmos com grandes extensões territoriais
praticamente desconhecidas, como é o caso do próprio Vale do Paraíba ... os 200
sítios cerâmicos de São Paulo apresentam consideráveis variações ... variações
na indústria cerâmica levaram à definição de três grandes unidades
classificatórias: a tradição Tupi-guarani, a tradição Itararé e a tradição
Aratu/Sapucaí ... informações indicam que os sítios com cerâmica Tupi-guarani
de São Paulo estão longe de constituir uma unidade. Ao contrário, fornecem
indícios de especificidades locais e regionais..."
1
- O Sítio Arqueológico
"Santa Marina" de Jacareí apresentou material cerâmico relacionável à
tradição Tupiguarani, pesquisa realizada pelos arqueólogos Oldemar Blasi e
Miguel Gaissler em 1991 e posteriormente em 1997, pelos arqueólogos Érika M. Robrahn-Gonçalez e Paulo Eduardo
Zanettini. Localizado próximo ao Córrego do Guatinga, em terreno loteado para
construção de uma fábrica de vidros na década de 80, Estrada Velha Rio-São
Paulo, Rodovia geraldo Scavone, no trecho entre Jacareí e São José dos Campos.
Apresenta coleção de 14.548 peças, analisadas e atualmente se encontram armazenadas
no Núcleo de Arqueologia da Fundação Cultural de Jacareí "José Maria de
Abreu", no antigo Galpão do Armazém Geral da Ferrovia. Av. José Cristovão
Arouca, 40, CEP 12327-707 Jacareí - SP- Brasil.
Dados sobre o Sítio:
Localização: Av. José Ribeiro, s/n°
- Jd. Santa Marina - Jacareí - SP - Brasil.
Tipologia: Aldeia Indígena
Tupiguarani
Publicações: Jacareí - Às
Vésperas do Descobrimento. A pesquisa arqueológica no Sítio Santa Marina.
Autores: Érika M. Robrahn-Gonçalez e Paulo Eduardo Zanettini. 1999.
2 - O Sítio Arqueológico
"Pedregulho" apresentou material cerâmico relacionável à tradição Tupiguarani,
pesquisa realizada por Maria Cristina Scatamacchia em 1998. Localizado em terreno destinada ao loteamento
imobiliário, na Estrada Velha Rio-São Paulo, Rodovia Geraldo Scavone, no trecho
entre Jacareí e São José dos Campos. Apresenta coleção de 7.672 peças, analisadas
e atualmente se encontram armazenadas no Núcleo de Arqueologia da Fundação
Cultural de Jacareí "José Maria de Abreu", no antigo Galpão do Armazém
geral da Ferrovia. Av. Av. José Cristovão Arouca, 40, CEP 12327-707 Jacareí -
SP- Brasil.
Dados sobre o Sítio:
Localização: Estrada Municipal do
Pedregulho, s/n° - Condomínio Villa d'Italia
Tipologia: Aldeia Indígena
Tupiguarani
3 - O Sítio Arqueológico
"Rio Comprido" apresentou material cerâmico relacionável à tradição
Tupiguarani, pesquisa realizada pelo arqueólogo Plácido Cali, em 1998 e 1999.
Localizado próximo ao Córregos Guatinga e Rio Comprido, em terreno destinado ao
loteamento imobiliário, na Estrada Velha Rio-São Paulo, Rodovia Geraldo
Scavone, no trecho entre Jacareí e São José dos Campos. Apresenta coleção de
168 peças, analisadas e atualmente se encontram armazenadas no Núcleo de
Arqueologia da Fundação Cultural de Jacareí "José Maria de Abreu", no
antigo Galpão do Armazém Geral da Ferrovia. Av. Av. José Cristovão Arouca, 40,
CEP 12327-707 Jacareí - SP- Brasil.
Dados sobre o Sítio:
Localização: Estrada do Rio
Comprido - Condomínio Mirante do Vale
Tipologia: Aldeia Indígena
Tupiguarani
4 -O Sítio Arqueológico"
Villa Branca" apresentou material cerâmico relacionável à tradição Tupiguarani,
pesquisa realizada por Érika M. Robrahn-Gonçalez e Paulo Eduardo Zanettini.
Localizado próximo ao Córrego Guatinga, em terreno da antiga Fazenda Villa Branca,
de plantação de café e outros produtos agrícolas, em 1998, na Estrada Velha
Rio-São Paulo, no trecho entre Jacareí e São José dos Campos. Apresenta coleção
de 33.326 peças, analisadas e atualmente se encontram armazenadas no Núcleo de
Arqueologia da Fundação Cultural de Jacareí "José Maria de Abreu", no
antigo Galpão do Armazém geral da Ferrovia. Av. Av. José Cristovão Arouca, 40,
CEP 12327-707 Jacareí - SP- Brasil.
Dados sobre o Sítio:
Localização: Rodovia Geraldo
Scavone, 76 - Bairro Villa Branca
Tipologia: Aldeia Indígena
Tupiguarani
Possui
Monumento em sua celebração e Defesa: Pedra Memorial na praça, atual Bairro Villa Branca, implantada
pelo Ministério da Cultura; "Sítio de acordo com a Portaria n° 40 de 13 de
outubro de 1999 do IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional, faz parte do Patrimônio Cultural e é protegido Pela Constituição
Brasileira e pela Lei 3.924/61".
5 - O Sítio Arqueológico
"LIGHT" apresentou material cerâmico relacionável à tradição Aratu,
pesquisa realizada pelo Núcleo de Arqueologia da Fundação Cultural de Jacarehy
"José Maria de Abreu", em 2000. Localizado em terreno próximo à
represa de Santa Branca na Estrada entre Jacareí e Santa Branca, Rodovia Nilo
Máximo, os primeiros achados ocorreram naturalmente, por ação de um pescador no ano 2000, que
comunicou o fato ao poder público. Apresenta coleção de 21.972 peças, analisadas
e atualmente se encontram armazenadas no Núcleo de Arqueologia da Fundação
Cultural de Jacareí "José Maria de Abreu", no antigo Galpão do
Armazém Geral da Ferrovia. Av. Av. José Cristovão Arouca, 40, CEP 12327-707
Jacareí - SP- Brasil.
Dados sobre o Sítio:
Localização: Represa Santa Branca
- Próximo a Rodovia Nilo Maximo
Tipologia: Aldeia Indígena Aratu
_______________________________________________________________________
Assinar:
Postagens (Atom)





