segunda-feira, 27 de agosto de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
23ªFesta de São Benedito no Pq. Meia Lua "O Santo Negro Italiano"
A Festa de São Benedito "O Santo Negro Italiano" ocorre há 24 anos no Parque Meia Lua em Jacareí-SP. É organizada todos os anos por Raimundo Mateus e sua esposa Maria Antonia Mateus juntamente com a Comunidade São Benedito. Em abril de 2011 fui procurada pelo casal que me localizou no Salão Social do Circolo Italiano"LEONARDO DA VINCI" em Jacareí e na ocasião exprimiram o sonho de verem a História e a Festa de São Benedito registradas no âmbito do Patrimônio Cultural local, bem como divulgadas e reveladas para a população de Jacareí, pois a determinação da comunidade do Pq. Meia Lua em ajudá-los à promover esta festa e os anos dedicados à organização de tal manifestação religiosa, lhes parecia algo importante no cenário histórico-religioso-cultural.
Em fato, São Benedito nasceu na Italia, na cidade de San Fratello, em Provincia de Messina na ilha de Sicilia, em 1524 e faleceu em 04/04/1589 em Palermo-Sicilia-Italia; se trata de um Santo de origem italiana cristã, que desmembrou, agregou e deu origem à várias outras crenças e manifestações étnicas, folclóricas e religiosas no Vale do Paraíba, em outras zonas do Brasil, na América do Sul, em especial na Colômbia e Venezuela, e na Espanha. É também protetor dos Cozinheiros.
Assim sendo, dada a demonstração de anseio do casal em partilhar os sentimentos de devoção e fé à São Benedito e após ouvir as suas narrativas históricas, tive a constatação da presença de componentes típicos nessa manifestação popular, reveladores de seu forte perfil como instrumento de transferência e perenidade na transmissão de tradições, costumes, valores e conceitos cristãos, histórico-antropológicos e civis latentes na cultura regional; possibilitando-me deste modo, conceituar-la como elemento partícipe autêntico no imenso mosaico do Patrimônio Histórico Cultural do Vale do Paraíba.
O trabalho de Registro Histórico da Festa de São Benedito se desenvolveu em três vértices:
Vértice da Micro-história:
- Narrativa Histórica da participação e atuação de Raimundo Mateus e Maria Antonia Mateus na realizaçao de Festas Religiosas, em outra localidade e em Jacareí, no desenrolar do surgimento, formação e crescimento do Parque Meia Lua.
Vértice da História Oral:
- Registro áudio-visual de entrevistas com vários participantes da Festa e Comissão Organizadora durante mais de 12 horas consecutivas da Festa de São Benedito, em 15/05/2011, que teve início às 7:00 horas da manhã e terminou às 21:00 horas, realizada pública e gratuitamente em frente à residência dos Festeiros: Rua José Aristeu da Cunha, 222 Pq. Meia Lua, Jacareí-SP com um cronograma religioso, cutural e gastronômico elaborado pelos organizadores da Festa.
Vértice Disponibilização e Difusão Multimediatica de Resultado de Pesquisa:
- O trabalho foi apresentado ao público através de transmissão audiovisual durante a Festa de São Benedito realizada em 22/04/ 2012, no mesmo local de 2011 e canais mediaticos da Internet.
- O trabalho de difusão e divulgação da realização da Festa de São Benedito e de seu Registro Histórico continuará a ser feito durante 30 dias através de OUTDOOR fixado na cabeceira da Ponte Nossa Senhora Imaculada Conceição ( conhecida como Ponte do Clube Elvira e Ponte do Rio Paraíba).
Hoje, 22/04/2012 estão sendo publicadas a introdução do Registro Histórico escrito e algumas fotos da FESTA DE SÃO BENEDITO" de 15/05/2011.
O trabalho na íntegra será apresentado no livro "PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL DE JACAREHY" de minha autoria, Cesira Papéra e no site http://www.patrimonioculturaljacarehy.com.br/
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Jacarehy em seus 359 anos. Respostas de Cesira Papéra ao Jornal SEMANÁRIO.
Respostas de Cesira Papera ao Jornal SEMANÁRIO, em ocasião do aniversário da cidade de Jacarehy em Abril de 2011.
1 – Um ano inesquecível em Jacareí. Pode explicar brevemente como foi?
Muitos acontecimentos significativos ilustram a História de Jacarehy. Como “Villa” que surgiu em 1652, no início do processo de Colonização Portuguesa na América, nosso território Jacarehyense foi cenário das primeiras ações do desenvolvimento e avanço do sistema Mercantilista e do Capitalismo mundial com a geopolítica de dominação dos povos do mundo ocidental nos Seiscentos e Setecentos. A partir dos Oitocentos, um ano muito importante foi o de 1876 com a construção da Ferrovia e o surgimento do nosso 2º Centro Histórico, onde atualmente é a Praça Conde Frontin, e que projetou Jacarehy no Brasil Império como um pólo portador de capital financeiro, de difusão de Educação e Cultura e de desenvolvimento tecnológico, pois, com o surgimento do 2º Centro Histórico em torno da Ferrovia e da Estrada Velha São Paulo-Rio; Jacarehy se revelava também como uma sociedade urbana com vocação para acompanhar os avanços do desenvolvimento econômico mundial; este brio progressista e construtivo se refletia na população Jacarehyense que ocupava constantemente o espaço da Praça Conde Frontin para comemorações, manifestações políticas, de convivência e ação social, seguindo os moldes europeus de fortalecimento da identidade cultural e do poder popular, através das comemorações cívicas, históricas e religiosas; frente aos Poderes Constituídos. Esta prática de civilidade e participação social costumeira e cultivada pelos Jacarehyenses, ocorreu naquela Praça Conde Frontin, chamada Praça do Bom Sucesso até 2004, quando então o Centro Histórico de Jacarehy foi destruído pelas mãos e ação do então Prefeito Marco Aurélio de Souza.
No século XX, eu considero que o ano de 1992 tenha sido o mais importante para Jacarehy, dentro desta leitura de processos econômicos, histórico-sociais e culturais, pois em 1992 o então Prefeito Osvaldo Arouca esteve muito próximo de construir o HOSPITAL MUNICIPAL da nossa cidade e no mesmo ano, a Professora Maria Ada Cherubini, como Presidente da Fundação Cultural de Jacarehy, inaugurou o “SOLAR GOMES LEITÃO”, depois dos 13 anos de restauros, e instituiu informalmente o “Museu de Antropologia do Vale do Paraíba”, naquele edifício. Neste ano histórico Jacareí esteve muito próxima de se recolocar como cidade progressista e de vanguarda como sempre fora; pois demonstrou que possuía uma Cultura Política baseada na tecnicidade e preservação dos direitos da pessoa humana, incentivando na gestão pública os dois pilares fundamentais comuns a toda sociedade na História da nossa civilização: a SAÚDE e a CULTURA.
2 – Um lugar especial para passear em Jacareí.
Jacareí oferece vários lugares especiais para passear, pela sua própria posição e formação geográfica. Por exemplo, a SP-66 que liga Jacareí à Guararema, é uma Estrada com uma natureza ainda muito bonita, com reserva de mata Atlântica. Cresci em Jacareí e o passeio que meu pai proporcionava à nossa família era ir pescar em várias regiões da cidade, dizia que a água e a pescaria eram uma escola; logo, cresci com os olhos voltados para o quê Jacareí oferecia naturalmente, desde pequena eu via Jacareí vislumbrar; uma grande várzea com correntes de águas por todos os lados, cercada de morros e pequenas montanhas. De cima do Morro do Itapeva, do Morro do SESI podíamos ver toda a cidade e a Serra da Mantiqueira. Nas represas podíamos pescar e fazer pic-nic nos bosques, para observar a natureza. No bairro do Rio Abaixo, podíamos brincar na beira do Rio Paraíba. No Bairro do Bom Jesus existiam os bosques de frutas e a festa do Bom Jesus. No Bairro do São João existiam áreas de convivência social, religiosa e cultural, com os Parques e Circos que se instalavam e faziam a alegria das crianças e cidadãos em geral, em torno da Igreja do São João e da Capela do Cruzeiro, que posteriormente foi demolida e destruída pela administração pública do então Prefeito Marco Aurélio de Souza.
Parte destes cenários paisagísticos que narrei, ainda existem em Jacareí, faz parte de sua natureza, precisamos é reconhecê-los, valorizá-los, criar uma política de reconhecimento histórico e geográfico dos espaços urbanos, rurais e hidrográficos de nossa cidade para que sejam desenvolvidas também as atividades culturais, esportivas- náuticas e econômicas em torno de nossas possibilidades turístico-paisagísticas. O Rio Paraíba do Sul é uma grande dádiva da natureza, que possuímos, mas não o protegemos e nem mesmo desfrutamos de sua beleza e potencial.
Ainda nas zonas mais afastadas do Centro da cidade, encontramos as Capelas mais antigas que revelam nossa existência secular como povo cristão que somos. O Bairro do Bom Jesus nos revela as inovações que já existiam por aqui já no século XIX, a malha Ferroviária e os destroços que sobraram da sua Estação e uma Capela dos Setecentos ainda em pé, apesar da voraz vocação desta administração atual em destruir Patrimônio Histórico religioso e ambiental, os munícipes do Bairro do Bom Jesus ainda conseguem reger as manifestações culturais em festas e comemorações organizadas por eles no seio da sociedade civil.
Sob o aspecto urbano Jacareí apresenta cenários interessantes, ruas estreitas, algumas ainda com edificações antigas que revelam uma paisagem urbana de outros séculos, como a Igreja de São Benedito, Igreja da Matriz Imaculada Conceição, a Igreja do Rosário, a Igreja do Bom Sucesso, o Solar Gomes Leitão, as construções antigas que restaram, na Praça do Rosário e das ruas do centro mais antigo da cidade. Portanto, um passeio à pé pelo centro pode sempre nos desvendar uma novidade na identidade histórico-arquitetônica de Jacareí.
Um local precioso a ser visitado, que apresenta um Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico de imensurável valor é o Cemitério Campo da Saudade, no Bairro Avarehy, mais conhecido como Cemitério do Avareí. É um Patrimônio Cultural com forte representatividade da Arte Tumular e que eu anseio em vê-lo preservado e transformado em um Museu Cemiterial. Ele nos dá a possibilidade de incluir Jacareí num roteiro turístico que incluí Arte e História.
3 – Algo negativo que há em Jacareí.
A falta de uma gestão pública com planejamento urbano moderno e atualizado com a tecnicidade que a ciência da Urbanização já pode nos oferecer; que contemple nosso Patrimônio Natural e Histórico e que possa nortear a redefinição de políticas futuras de sustentabilidade. Uma meta com planejamento que organize a cidade de acordo com a sua vocação e potencial econômico, sócio-cultural, geográfico, arqueológico e histórico. Esse é um aspecto negativo, que nós Jacareienses estamos vivendo, e que nos impossibilita de desenvolver todas as nossas potencialidades de crescimento aliado a desenvolvimento e criação de oportunidades trabalhistas e de negócios que destaquem nossas virtudes, pois como Jacareienses sabemos bem a importância de nosso Patrimônio Cultural e de nossa Historicidade, de nossa vocação desenvolvimentista que era já presente em nossa História desde o surgimento da Villa de Jacarehy, e que nos últimos tempos estamos vendo submergir com uma política de eventos e de obras volumosas eleitoreiras, causando o apagamento total de uma História própria já existente. Assisti a uma palestra do Sr. Peloia, Presidente do CIESP, em que ele declarou que Jacareí deve se adequar em termos de obras de Infra-estrutura para poder receber nos próximos anos o investidor empresarial externo, este é um alerta técnico à uma conduta pouco atenta às necessidades reais do nosso município.
4 – Algo positivo que há em Jacareí.
O quê há de mais positivo em Jacareí é O JACAREIENSE. Somos um povo de Memória e de Trabalho. Um povo que tem sua própria identidade cultural e que sabe refletir sobre o seu próprio passado. Nós Jacareienses, em 1850 já estávamos construindo com verbas privadas nossa própria Santa Casa de Misericórdia, seguindo os moldes de Saúde de alguns países da Europa, como a Itália e Portugal. Hoje, no século XXI vemos em nossa cidade, uma desarticulação total para construir o segmento de benefício social básico, que é o Hospital Municipal. Considero que o Jacareiense saberá reagir e se reapropriar de sua Cultura Política de Construção e Organização Social e Urbana.
5 – O quê Jacareí apresenta de interessante para aqueles que a olham de fora?
Acho que Jacareí sempre foi interessante para investimentos de capital externo e interesses de mercado. Por isso fomos apontados como cidade principal do Vale do Paraíba e receberíamos o CTA aqui em nosso território, mas por ajustes técnicos, administrativos e políticos, o CTA foi para São Jose dos Campos, que possuía já naquela época, administração pública que, comprovadamente tutelava e salvaguardava os itens técnicos e científicos na administração pública, necessários e voltados para o desenvolvimento urbano moderno e contemporâneo das cidades.
Fomos interessantes desde outros séculos por possuirmos aqui grande legado histórico-cultural de desenvolvimento, pois éramos o principal pólo educacional em um período que toda a região passava por dificuldades econômicas; estivemos sempre estrategicamente localizados frente a principal Rodovia do País, possuíamos um transporte Ferroviário em funcionamento e que funciona ainda parcialmente com os investimentos que a iniciativa privada fez na nossa malha ferroviária para chegar até o Bairro São Silvestre e que poderia chegar até o Campo Grande se quiséssemos e tivéssemos tido administrações do nosso Patrimônio, voltadas à defesa dos interesses dos cidadãos, e não aos interesses de grupos desprovidos de tecnicidade que precisam se perpetuar no poder municipal para manutenção de suas regalias e oligarquias dominantes.
De modo geral, até mesmo com os aspectos geográficos, como a presença do Rio Paraíba do Sul, favorecem os investimentos financeiros e nos posicionam sempre sob o olhar da iniciativa privada do capital nacional e internacional.
Dádivas naturais e históricas possuímos tantas para nos tornarmos alvo de capital investidor e de iniciativas empreendedoras; precisamos é instituir classe dirigente com mentalidade criativa, atualizada, bem formada e informada tecnicamente; capaz de entender e administrar todas as dádivas e bens que possuímos e então Jacarehy veria florescer amplamente suas flores e frutos;pois afinal Política é a administração de problemas e soluções econômico-histórico-sociais.
terça-feira, 17 de maio de 2011
A HOMOFOBIA em Jacarehy presente nos Coronéis de hoje!
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| MACHO OU |
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| FÊMEA |
| Sergio Kauffman,LuizAndreMoresi |
Neste dia 17 de Maio de 2011, faz-se necessário pontuarmos parcialmente a História da Homofobia na cidade de Jacareí, porque em primeiro lugar a LEI ESTADUAL 10.948/2001 completa 10 anos; em 2º lugar porque o STF - Supremo Tribunal Federal Brasileiro apresentou a Decisão de 05/05/11, reconhecendo Direitos Civis e Humanos, antes renegados pelo Estado; em 3º lugar porque foi amplamente divulgado o momento em que Luiz Andre Moresi Presidente da ONG REVIDA e Sergio Kauffman assinaram contrato de união estável; e em 4º lugar a necessidade óbvia de difusão de registros históricos relativos aos fatos citados, para que possa existir uma leitura plena e transparente das ações e atores sociais que propagaram intervenções nesse longo e difícil processo de aquisição de Direitos Civis. Ou seja, é importante não seguir a História somente à partir desse momento feliz e vitorioso, mas sim, retroceder um pouco no tempo e conhecer a realidade das dificuldades, perseguições e danos infringidos à essas pessoas que sempre comungaram a liberdade de Direitos e que foram expostas à severas punições por pertencerem ao grupo dos "diversos" frente aos olhos do Poder constituído em Jacareí.
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| Homem Romano-século I |
Prevaleceram, com essa decisão, princípios como a dignidade, igualdade e vedação de discriminação por orientação sexual. Foi um longo caminha e ainda há muito a ser conquistado. Na cidade de Jacareí, com frequência, vemos os relatos de extrema violência cometida contra homossexuais como agressões físicas, humilhações e assassinatos. A população não recebe mais informações sobre os fatos porque não existe no âmbito da Administração Pública, órgão destinado a tratar de Políticas voltadas para Defesa Incondicional de Direitos Humanos, e, portanto não existem dados estatísticos, índices ou registros sistemáticos que revelem o quanto nossa sociedade é violenta no confronto das diversidades individuais ou coletivas. Somente quando a violência ocorre com uma pessoa de nosso relacionamento familiar, é que percebemos a falta de respeito e de aceitação do próximo. Todos nós podemos em algum momento sermos profundamente atingidos por violências causados por algum tipo de discriminação; podemos em algum momento sermos nós as vítimas, se por acaso convivermos com uma pessoa com escolhas próprias e independentes do modelo social de sexualidade, imposto através dos séculos. E então ressaltamos neste artigo que trata de argumento representativo na nossa comunidade, a reflexão sobre os Princípios Legais do mundo ocidental, que asseguram as liberdades individuais de escolha e ação; calcados nos Princípios Cristãos de Respeito e Amor ao Próximo; de Humildade e Solidariedade frente aos oprimidos por forças e imposições de abuso de Poderes. Assim como Jesus Cristo, diante das barbaridades do Império Romano se levantou para defender os oprimidos e excluídos do meio social. A decisão do STF além de transmitir seguridade Legal à questão, imprime ao mundo, nestes tempos de crises religiosas, morais éticas e sócio-políticas, o alto teor da nossa cultura Cristã, de respeito, amor e defesa ao próximo.
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| HOMOFOBIA:tô fora! |
A escritora Coretta Scott King, líder no movimento mundial pelos Direitos Civis, declarou em 1998: “A homofobia é como o racismo, o antissemitismo e outras formas de intolerância na medida em que procura desumanizar um grande grupo de pessoas, negar a sua humanidade, dignidade e personalidade.”
No Estado de São Paulo, a Lei Estadual 10.948/2001 “estabelece multas e outras penas para a discriminação contra homossexuais, bissexuais e transgêneros. São puníveis pessoas, organizações e empresas, privadas ou públicas (art. 3º). A lei proíbe, em razão da orientação sexual (art. 2º): violências, constrangimentos e intimidações, sejam morais, éticas, filosóficas ou psicológicas...”
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| HOMOFOBIA -Lei Estadual 10.948/01 |
Em Jacareí, infelizmente os casos de desrespeito ao próximo e às Leis, não são isolados. Até autoridades públicas do Poder Executivo também já deram o seu exemplo.
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| Marco Aurélio de Souza |
Em 2001 os funcionários públicos municipais receberam, junto com o holerite, um folheto com uma mensagem afirmando que o homossexualismo é um desvio de comportamento, e pode ser tratado. O próprio folheto indicava o terapeuta, o Padre e psicólogo Giovanni Rinaldi e dava o preço da consulta.
Na época o então Prefeito e hoje atual Deputado Estadual Marco Aurélio de Souza do PT, disse ter autorizado a distribuição.
O caso obteve repercussão em todo o Brasil e no mundo. Os Movimentos em Defesa dos Direitos Humanos e dos Direitos Homossexuais protestaram com veemência contra o petista, que demonstrou alto grau de sentimento discriminatório, escassa sabedoria em assuntos sócio-humanos e desconhecimento da mentalidade avançada e democrátrica que permeiam as Leis do nosso Estado de São Paulo. As manifestações contra tal ação reacionária foi comandada pelo Movimento Gay da Bahia, presidida pelo antropólogo Luis Mott, em dezenas de ações judiciais.
O Padre Giovanni Rinaldi foi transferido de Paroquia e o ex-prefeito foi condenado pela Justiça, pois em nosso Brasil, país multicultural, multiétnico, multidesenvolvimentista, não havia e não poderá nunca mais haver espaço para a Homofobia Institucionalizada, patrocinada pelo Estado.
A Etimologia da palavra mostra que HOMO = igual e FOBIA = medo. A Homofobia pode ser conceituada como um medo, uma aversão profunda, irracional e incontida no confronto das características e detalhes ligados ao SEXO. Logo todas as pessoas que reflitam, nesse âmbito qualquer posicionamento diferente ao esperado e exigido pela sociedade passa a representar riscos e inseguranças para aquelas que em si resguardam ansiedades, aflições e sentimentos conturbados ameaçadores. Forma-se então um quadro de distintas manifestações em busca de uma salvação. Sendo assim, para os homofóbicos, a ameaça advém das homossexualidades, das Lésbicas, dos Gays, dos Transgêneros, dos Intersexuais (LGBT), até mesmo das mulheres através do SEXISMO, e de todos que promulgam uma performance sexual diferente das impostas pelos rígidos padrões sociais ou religiosos.
À partir desse medo dos homofóbicos, se intensificam por mecanismos variados e estratégicos, os sentimentos, os pensamentos, as condutas comportamentais que incidem em violência, agressão ou desconforto frente à homossexualidade das pessoas. Segundo o filósofo francês Foucault, a Homofobia é como um dispositivo de repressão e detenção de forças, e como tal deve ser incessantemente analisada pelas ciências humanas: antropologia, psicanálise, história das religiões, história dos povos antigos Grego e Romano, filosolia e outras. Somente sob esses olhares é possível indicar um estudo do comportamento homofóbico.
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| 1ªParada LGBT Jacareí-SP |
A difícil relação da Humanidade com o sexo ambíguo, múltiplo e libertário sempre foi notável em várias épocas e o ódio ao homossexual é um fenômeno que atravessou séculos na estrutura de nossa sociedade.
Os vários tipos de manifestações de aversão ao outro causa a sensação ao indivíduo de ser situado além do âmbito comum dos demais seres humanos. É a força desse sentimento que segrega o outro em sua particular escolha e opção, frente ao quê ele apresenta de diverso no tecido social; e foi esse forte desejo de segregar e excluir o diverso que reflete o EU intensamente interiorizado, que moveu os exércitos fascistas e nazistas na 2ª Guerra Mundial. O ódio e a ânsia de exterminar o OUTRO. A Homofobia é então uma manifestação arbitrária porque consiste em definir o OUTRO como contrário ou inferior ou anômalo.
Como ossos de um ofício imbuído do dever na construção da História local, na busca e revelação do Saber e do Conhecimento sobre nosso legado histórico-cultural e nossa Cultura Política; tenho garimpado dados que revelem o cotidiano de grupos perseguidos pelo Poder constituído na cidade de Jacareí e dessa pesquisa resultou que Jacareí ocupa seu lugar como cidade que teve um Prefeito Homofóbico e o atual Deputado Marco Aurélio de Souza ocupa o 1º lugar como Prefeito Homofóbico no Brasil. Como pesquisadora, encontrar tais ações barbáricas diante do nível de civilidade já alcançado em nossa nação, me remete à busca de literatura que nos ofereça e nos conduza à vislumbrar mudanças e transformações em mentes homofóbicas; recorrro e transcrevo então alguns princípios cristãos, que poderiam nortear as ações dos cidadãos perseguidores, que se definem como cristãos mas agem de modo contrário ao único e exclusivo fundamento que Jesus Cristo imprimiu em sua filosofia: o respeito e a igualdade incondicional entre os povos; a caridade e a aceitação absoluta do PRÓXIMO! Esses princípios cristãos foram coletados na Bíblia e interpretados pelo teólogo costarriquenho Orlando Costas: “...as gentes crucificadas, injustiçadas e exploradas pela impiedade de outros humanos...; Jesus ao fazer algumas opções, ele estabelece grupos e pessoas, os bem – aventurados, que têm prioridade no reino: os humildes de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de Justiça, os misericordiosos, os humildes de espírito, os limpos de coração, os pacificadores, os perseguidos por causa da Justiça (Mt 5.1-12).” Remetendo estas reflexões para nossa realidade latino-americana, aprendemos quem são esses privilegiados do Evangelho hoje:
Como ossos de um ofício imbuído do dever na construção da História local, na busca e revelação do Saber e do Conhecimento sobre nosso legado histórico-cultural e nossa Cultura Política; tenho garimpado dados que revelem o cotidiano de grupos perseguidos pelo Poder constituído na cidade de Jacareí e dessa pesquisa resultou que Jacareí ocupa seu lugar como cidade que teve um Prefeito Homofóbico e o atual Deputado Marco Aurélio de Souza ocupa o 1º lugar como Prefeito Homofóbico no Brasil. Como pesquisadora, encontrar tais ações barbáricas diante do nível de civilidade já alcançado em nossa nação, me remete à busca de literatura que nos ofereça e nos conduza à vislumbrar mudanças e transformações em mentes homofóbicas; recorrro e transcrevo então alguns princípios cristãos, que poderiam nortear as ações dos cidadãos perseguidores, que se definem como cristãos mas agem de modo contrário ao único e exclusivo fundamento que Jesus Cristo imprimiu em sua filosofia: o respeito e a igualdade incondicional entre os povos; a caridade e a aceitação absoluta do PRÓXIMO! Esses princípios cristãos foram coletados na Bíblia e interpretados pelo teólogo costarriquenho Orlando Costas: “...as gentes crucificadas, injustiçadas e exploradas pela impiedade de outros humanos...; Jesus ao fazer algumas opções, ele estabelece grupos e pessoas, os bem – aventurados, que têm prioridade no reino: os humildes de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de Justiça, os misericordiosos, os humildes de espírito, os limpos de coração, os pacificadores, os perseguidos por causa da Justiça (Mt 5.1-12).” Remetendo estas reflexões para nossa realidade latino-americana, aprendemos quem são esses privilegiados do Evangelho hoje:
“São os povos autóctones e as minorias étnicas, os desempregados e os mal-pagos, os exilados, refugiados e imigrantes ilegais, os campesinos explorados e a subclasse social permanente que habita em guetos urbanos, subúrbios, favelas e lugares de miséria. São também as prostitutas, os presos, os alcoólatras e viciados em drogas; os idosos solitários e os jovens frustrados, as mulheres denegridas, os abusados, desprezados e os homossexuais rechaçados e deserdados (O. Costas, Evangelización Contextual, p. 85-86)”.
ARESSALVAQUE FAZEMOSHOJE È:JACAREÍ É CIDADE COM PREFEITO HOMOFÓBICO.
A afirmação que propagamos hoje é: "A importância da História na percepção da vida, dos espaços urbanos e na governabilidade de uma cidade, de um Estado e de todos nós!"
Bibliografia: Os autores utilizados foram citados no artigo e as imagens utilizadas são da Revista Italiana de História: "FOCUS STORIA" AGOSTO/2010.
Bibliografia: Os autores utilizados foram citados no artigo e as imagens utilizadas são da Revista Italiana de História: "FOCUS STORIA" AGOSTO/2010.
terça-feira, 8 de março de 2011
MULHERES EMPAREDADAS E O CORONELISMO JACAREHYENSE NO SÉCULO XXI.
Perpetua-se então com a punição desses personagens do universo religioso e historiográfico do mundo ocidental, a subordinação imposta às mulheres através da guerra contra o poder da mulher.
A história está recheada de atentados contra as mulheres para combater esse poder nela intrínseco. Na Roma antiga narrações sobre “Il rapto delle Sabine alle porte di Roma”, soldados romanos que raptaram mulheres para a própria procriação dos romanos. Às portas do século XX a guerra pelo poder dos sérvios contra os muçulmanos, passou pelo aprisionamento e estupro de mulheres, a ponto da sociologia e antropologia terem reconhecido recentemente o estupro como arma de guerra.
Mas o enfoque que damos aqui para pontuar com importância o Dia Internacional da Mulher, é o aspecto antropológico das relações que permearam o cotidiano local jacarehyense, das mulheres do século XIX sucumbidas ao poder instituído do coronelismo florescente no cenário brasileiro regional, representado pelo então Alferes, “Coronel” João da Costa Gomes Leitão e as relações de poder que fazem ainda hoje no século XXI, sucumbir todos cidadãos jacarehyenses independentes dos gêneros.
Conta a lenda narrada pelas autoras Erica Turci e Tatiana Baruel, bem como com muitas variantes presentes na tradição oral de Jacareí que o citado Coronel emparedou viva uma de suas filhas porque esta havia se apaixonado por um rapaz pobre, e que esta mulher assombra até hoje o enorme casarão: “SOLAR GOMES LEITÃO”. Isto diz a lenda, mas a história, precedida pela arqueologia também pode comprovar a dinâmica do poder exercido por esse “Coronel”, pois, numa tentativa de redimir seus pecados e fazer um de seus filhos se tornar um anjo, ele o enterrou dentro da Igreja da Matriz em uma linda tumba de mármore; comprovando como testemunho histórico patrimonial o poder coronelístico no século XIX em Jacarehy e região.
A problematização do argumento em foco se configura nesses meandros das relações antropológicas de poder que se davam de modo irrestrito não só sobre a mulher, mas também sobre os escravos, sobre a Igreja, sobre os poderes constituídos, pois esse Coronel foi também Juiz de Paz, cafeicultor, líder do tráfico de escravos, 1º Banqueiro do Vale do Paraíba, logo capitalista e, portanto não lhe servia ser BARÃO; ele deixou os títulos da Nobreza para outras personalidades. As outras cidades do Vale do Paraíba tinham já os seus BARÕES; Jacarehy de então possuía 3 BARÕES; mas era do “Alferes Leitão” o título de “CORONEL”. Além da monocultura do café, ele era detentor de relações de direito de posse e decisão sobre as mercadorias mais valiosas na região: as terras, os escravos e as mulheres, pois estes garantiam a geração e o acúmulo de riquezas.
Para fundamentar filosoficamente esse contexto sócio cultural do universo da mulher jacareiense recorremos à teoria do pensador francês Michael Foucault que observou, escreveu sobre o cotidiano feminino e em suas lições de genealogia e poder explica como o poder é essencialmente repressivo: “...o poder é o que reprime a natureza, os indivíduos, uma classe. Quando o discurso contemporâneo define repetidamente o poder como sendo repressivo, não é novidade. Hegel foi o primeiro a dizê-lo, depois Freud e Reich também o disseram... não será então que a análise do poder deveria ser essencialmente uma análise dos mecanismos da repressão?... o poder é guerra, guerra prolongada por outros meios.” (1986).
Catalisando as forças motrizes de todas as mulheres que nesse dia 08 de março de 20011 serão homenageadas, ressaltamos o convite a uma meditação sobre essas relações de poder descritas nesse artigo, pois talvez o caminho para a “sonhada” libertação feminina esteja calcado na nossa redefinição cultural frente à essa realidade opressiva que não atinge somente o universo feminino, mas de modo sistêmico também o universo masculino; quando nesse século XXI vivemos sob as forças do coronelismo revestido e potencializado; talvez então possamos juntos homens e mulheres desmascarar o PODER que nos empareda ainda e nos impõe absurdos que analisados à luz da Razão e da Ciência desmascara este universo de relações de PODER que nos oprime ainda no século XXI; citarei alguns exemplos específicos ligados ao gênero feminino e outros gerais:
1. A inexistência de Políticas voltadas exclusivamente para a saúde e bem estar da Mulher Jacareiense; visto que nem mesmo HOSPITAL MUNICIPAL ou MATERNIDADE MUNICIPAL possímos em Jacareí;
2. O desconhecimento absoluto da parte de classe dirigente local, de Mecanismos Sociológicos e Métodos de Pesquisa e que abordem a realidade e condição femininas no município;
3. Estatísticas que possam revelar o número de mulheres e crianças violentadas, famintas, analfabetas e ou desempregadas, ou ligadas e utilizadas pelo tráfico de drogas e pelo mercado do crime que é crescente em Jacareí;
4. O número de mulheres que praticam o aborto como método de manutenção de controle do número de familiares e dependentes, número de mulheres hospitalizadas e óbitos em função dos abortos clandestinos.
De modo geral, podemos também citar exemplos de outras ações que permeiam as relações de PODER e atingem à todos os Jacareienses: a “legalidade” de uma taxa para podermos transitar em nosso território enquanto munícipes, com o PEDÁGIO às nossas portas; o PODER que não é capaz de Planejar uma cidade com administração das águas e evitar os alagamentos e desmoronamentos, apesar de todos os recursos de Infra-estrutura já existentes na Engenharia e Arquitetura, enviando à nós, munícipes as conseqüências com as doenças e outros danos; o PODER que julga culpado um governante que não prestou de modo correto as suas contas, mas lhe dá a permissão para se eleger de novo governante; o PODER que permite que os cidadãos sejam enganados, nos momentos de Campanha Política, com promessas de construção do tão necessário HOSPITAL MUNICIPAL de serventia pública comum à todos, e ainda ludibria a população com o Projeto do FICTÍCIO ANEL VIÁRIO, impossível de ser construído no CENTRO HISTÓRICO da cidade; porque a Ciência da Urbanística nos ensina que Anéis Viários não cortam Centros Históricos, mas giram em torno das cidades justamente para proteger a Memória das Cidades; Memória esta que todo Cidadão, Homens e Mulheres têm o Direito de ter, pois este Direito é garantido pela nossa CONSTITUIÇÃO FEDERAL BRASILEIRA.
Nós Mulheres nos tornamos as vítimas mais frágeis nesta cadeia de falcatruas e enganações; pois em função de nossa secular missão de procriar, proteger, nutrir e dar manutenção à existência da Espécie Humana, nos sobra muito menos possibilidades de estudar, adquirir conhecimentos, refletir e confrontar realidades e as condições de vida, que nos são destinadas e impostas pelo PODER da desinformação, que avança em benefício de alguns números e gêneros. Temos motivos latentes, nós MULHERES E HOMENS para buscarmos a união, darmos início à uma reflexão profunda e abrirmos uma discussão sobre, de modo geral, qual PODER é este que governa nossos corpos, que pretensiosamente quer nos ditar até o número de nossa prole, que nos impõe e nos submete às condições absurdas de desinformação e passividade; e afinal de contas... quem são os Coronéis que nos oprime ainda em Jacarehy, nesse século XXI?
Cesira Papera é licenciada em História, é Genealogista. Pesquisadora histórica em Genealogia e Patrimônio Cultural no Brasil e Italia.. Realizou estudos histórico-linguístico-culturais nas Universidades “Ca’ Foscari”, em Veneza e “La Sapienza” em Roma, Itália, no período de 1995/2001. É Sócia-membro da ASBRAP. Leciona Língua e Cultura Italiana e é Diretora Cultural do Circolo Italiano”LEONARDO DA VINCI”. Coordena o Grupo de Defesa da Memória do Ferroviário de Jacareí.
cesirapapera@gmail.com
(Texto escrito e publicado parcialmente no JORNAL SEMANÁRIO de Jacareí, em 08/03/2009)
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| Alferes João da Costa Gomes Leitão |
Sabemos que até o século XX a historiografia omitiu, ocultou e compactuou com o apagamento da Memória da participação feminina como agente social no cenário do desenvolvimento das sociedades. Desde “Eva”, nas narrações religiosas e sua conseqüente punição pelo ato de rebeldia e insubordinação ao comer a maçã; passando por Maria Madalena e sua coexistência polêmica ao lado de Jesus Cristo, evidenciadas pela história; a mulher carrega o fardo de receber punições e castigos salientados por uma cultura política secularmente praticada, que potencializa as relações de poder prepotentes do domínio masculino em detrimento à força motriz que é presente na própria natureza biológica que assegura à mulher o poder de decisão sobre a procriação.
Perpetua-se então com a punição desses personagens do universo religioso e historiográfico do mundo ocidental, a subordinação imposta às mulheres através da guerra contra o poder da mulher.
A história está recheada de atentados contra as mulheres para combater esse poder nela intrínseco. Na Roma antiga narrações sobre “Il rapto delle Sabine alle porte di Roma”, soldados romanos que raptaram mulheres para a própria procriação dos romanos. Às portas do século XX a guerra pelo poder dos sérvios contra os muçulmanos, passou pelo aprisionamento e estupro de mulheres, a ponto da sociologia e antropologia terem reconhecido recentemente o estupro como arma de guerra.
Mas o enfoque que damos aqui para pontuar com importância o Dia Internacional da Mulher, é o aspecto antropológico das relações que permearam o cotidiano local jacarehyense, das mulheres do século XIX sucumbidas ao poder instituído do coronelismo florescente no cenário brasileiro regional, representado pelo então Alferes, “Coronel” João da Costa Gomes Leitão e as relações de poder que fazem ainda hoje no século XXI, sucumbir todos cidadãos jacarehyenses independentes dos gêneros.
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| Livro de Erica Turci e Tatiana Baruel |
| Tumba de João da Costa Gomes Leitão Junior |
A problematização do argumento em foco se configura nesses meandros das relações antropológicas de poder que se davam de modo irrestrito não só sobre a mulher, mas também sobre os escravos, sobre a Igreja, sobre os poderes constituídos, pois esse Coronel foi também Juiz de Paz, cafeicultor, líder do tráfico de escravos, 1º Banqueiro do Vale do Paraíba, logo capitalista e, portanto não lhe servia ser BARÃO; ele deixou os títulos da Nobreza para outras personalidades. As outras cidades do Vale do Paraíba tinham já os seus BARÕES; Jacarehy de então possuía 3 BARÕES; mas era do “Alferes Leitão” o título de “CORONEL”. Além da monocultura do café, ele era detentor de relações de direito de posse e decisão sobre as mercadorias mais valiosas na região: as terras, os escravos e as mulheres, pois estes garantiam a geração e o acúmulo de riquezas.
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| SOLAR "GOMES LEITÃO" |
Para fundamentar filosoficamente esse contexto sócio cultural do universo da mulher jacareiense recorremos à teoria do pensador francês Michael Foucault que observou, escreveu sobre o cotidiano feminino e em suas lições de genealogia e poder explica como o poder é essencialmente repressivo: “...o poder é o que reprime a natureza, os indivíduos, uma classe. Quando o discurso contemporâneo define repetidamente o poder como sendo repressivo, não é novidade. Hegel foi o primeiro a dizê-lo, depois Freud e Reich também o disseram... não será então que a análise do poder deveria ser essencialmente uma análise dos mecanismos da repressão?... o poder é guerra, guerra prolongada por outros meios.” (1986).
Catalisando as forças motrizes de todas as mulheres que nesse dia 08 de março de 20011 serão homenageadas, ressaltamos o convite a uma meditação sobre essas relações de poder descritas nesse artigo, pois talvez o caminho para a “sonhada” libertação feminina esteja calcado na nossa redefinição cultural frente à essa realidade opressiva que não atinge somente o universo feminino, mas de modo sistêmico também o universo masculino; quando nesse século XXI vivemos sob as forças do coronelismo revestido e potencializado; talvez então possamos juntos homens e mulheres desmascarar o PODER que nos empareda ainda e nos impõe absurdos que analisados à luz da Razão e da Ciência desmascara este universo de relações de PODER que nos oprime ainda no século XXI; citarei alguns exemplos específicos ligados ao gênero feminino e outros gerais:
1. A inexistência de Políticas voltadas exclusivamente para a saúde e bem estar da Mulher Jacareiense; visto que nem mesmo HOSPITAL MUNICIPAL ou MATERNIDADE MUNICIPAL possímos em Jacareí;
2. O desconhecimento absoluto da parte de classe dirigente local, de Mecanismos Sociológicos e Métodos de Pesquisa e que abordem a realidade e condição femininas no município;
3. Estatísticas que possam revelar o número de mulheres e crianças violentadas, famintas, analfabetas e ou desempregadas, ou ligadas e utilizadas pelo tráfico de drogas e pelo mercado do crime que é crescente em Jacareí;
4. O número de mulheres que praticam o aborto como método de manutenção de controle do número de familiares e dependentes, número de mulheres hospitalizadas e óbitos em função dos abortos clandestinos.
De modo geral, podemos também citar exemplos de outras ações que permeiam as relações de PODER e atingem à todos os Jacareienses: a “legalidade” de uma taxa para podermos transitar em nosso território enquanto munícipes, com o PEDÁGIO às nossas portas; o PODER que não é capaz de Planejar uma cidade com administração das águas e evitar os alagamentos e desmoronamentos, apesar de todos os recursos de Infra-estrutura já existentes na Engenharia e Arquitetura, enviando à nós, munícipes as conseqüências com as doenças e outros danos; o PODER que julga culpado um governante que não prestou de modo correto as suas contas, mas lhe dá a permissão para se eleger de novo governante; o PODER que permite que os cidadãos sejam enganados, nos momentos de Campanha Política, com promessas de construção do tão necessário HOSPITAL MUNICIPAL de serventia pública comum à todos, e ainda ludibria a população com o Projeto do FICTÍCIO ANEL VIÁRIO, impossível de ser construído no CENTRO HISTÓRICO da cidade; porque a Ciência da Urbanística nos ensina que Anéis Viários não cortam Centros Históricos, mas giram em torno das cidades justamente para proteger a Memória das Cidades; Memória esta que todo Cidadão, Homens e Mulheres têm o Direito de ter, pois este Direito é garantido pela nossa CONSTITUIÇÃO FEDERAL BRASILEIRA.
Nós Mulheres nos tornamos as vítimas mais frágeis nesta cadeia de falcatruas e enganações; pois em função de nossa secular missão de procriar, proteger, nutrir e dar manutenção à existência da Espécie Humana, nos sobra muito menos possibilidades de estudar, adquirir conhecimentos, refletir e confrontar realidades e as condições de vida, que nos são destinadas e impostas pelo PODER da desinformação, que avança em benefício de alguns números e gêneros. Temos motivos latentes, nós MULHERES E HOMENS para buscarmos a união, darmos início à uma reflexão profunda e abrirmos uma discussão sobre, de modo geral, qual PODER é este que governa nossos corpos, que pretensiosamente quer nos ditar até o número de nossa prole, que nos impõe e nos submete às condições absurdas de desinformação e passividade; e afinal de contas... quem são os Coronéis que nos oprime ainda em Jacarehy, nesse século XXI?
Cesira Papera é licenciada em História, é Genealogista. Pesquisadora histórica em Genealogia e Patrimônio Cultural no Brasil e Italia.. Realizou estudos histórico-linguístico-culturais nas Universidades “Ca’ Foscari”, em Veneza e “La Sapienza” em Roma, Itália, no período de 1995/2001. É Sócia-membro da ASBRAP. Leciona Língua e Cultura Italiana e é Diretora Cultural do Circolo Italiano”LEONARDO DA VINCI”. Coordena o Grupo de Defesa da Memória do Ferroviário de Jacareí.
cesirapapera@gmail.com
(Texto escrito e publicado parcialmente no JORNAL SEMANÁRIO de Jacareí, em 08/03/2009)
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
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